Parada gay da minha janela

Faz quatro anos quase que eu moro em Israel e só hoje consegui participar da parada gay de Tel Aviv. Antes, vivendo em Jerusalém, ficava mais difícil. E eu quase perdi a parada. Mas ela passou literalmente embaixo da minha janela, cheia de arco-íris, cheia de beijos de homem com homem e de mulher com mulher, cheio de plumas e paetês, cheia de alegria, de cor, de música e de erotismo. Comecei a fotografar da minha janela e acabei descendo e caminhando com o povo até a praia. Ótimo!


Fotos: Gabriel Toueg

Parada gay em Israel é coisa que merece uma discussão antropológica! Há alguns anos uma tentativa de parada gay em Jerusalém terminou com um sujeito esfaqueado por um ortodoxo fundamentalista. Em Tel Aviv, a Cidade do Pecado, livre, leve e solta, tudo é mais permitido e uma coisa assim dificilmente ocorreria. Ao contrário – hoje eu vi no meio da parada um ortodoxo cantando canções religiosas cercado de jovens coloridos pulando e fazendo graça.

Da matéria do Ynet, que eu linkei lá no alto: “Morry, um turista japonês, esteve na parada e disse que ‘é maravilhoso, eu sei que isso é proibido no judaísmo e mesmo assim muitas pessoas vieram, até o prefeito deu apoio. É algo que nunca aconteceria no Japão’”. De fato. E é possível entender. Há quem diga que parada gay nenhuma no mundo, por maior que seja, se compara com a daqui. 

Apesar de Tel Aviv ser assim liberal e permissiva, houve olhares de desaprovação no meio da platéia. Uma mulher, ao ver um garoto quase nu, dançando e rebolando, balançou a cabeça e colocou a mão sobre a boca em sinal de que não estava gostando do que via. Do alto de uma varanda, um religioso observava tudo em silêncio e não quis falar sobre o assunto…

Mas os participantes não estavam lá para testar as reações das pessoas ou para provocar – embora a passeata tenha sido sim bastante provocativa, com muito erotismo. Eles vieram para fazer festa, e festa é algo que gays – especialmente em Tel Aviv – sabem fazer muito bem. 

 

E, para finalizar o assunto, vejam só que boa sacada do Google, que é fortíssimo em Israel (e naturalmente colorido em todo o mundo!). Eles não esquecem que propaganda é a alma do negócio…

3 Respostas

  1. Esta sua janela, heinn?!? hehe…
    Dá asas a imaginação! rs…
    Mas não pense que esquecemos da sua promessa de escrever sobre a Marcha…
    Você nos deve essa! hehe…
    Apesar de concordar que a cobertura da parada gay foi boa! Digna de um “metsuián”! hehe…
    Bjs;)

  2. Se não isso, o que faz de nosso país uma democracia em plena terra de regimes autoritários?

    A beleza do judaísmo está justamente na pluradidade. Enche-me os olhos ver, numa pequena parte do mundo, o branco-e-preto dos trajes religiosos em contraste com os brilhos da vida gay.

    Entre ser mono ou multi cromática, fico com o meio termo, o tom mais difícil de se alcançar.

    Admiro a aventura que vive aí em Israel.
    Gosto das palavras que usa para contá-la.

    Parebéns.

  3. [...] Tel Aviv, cidade totalmente liberal, o homossexualismo é encarado numa boa e paradas gay, como a deste ano, fazem [...]

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