É difícil, para quem não se criou nessa cultura, entender a necessidade e o valor de trazer de volta soldados – vivos ou mortos. Por isso, quando comentei com a minha chefe, que é colombiana, na manhã da troca entre Israel e o Hizballah, ela não entendeu e retrucou: “Para quê trocar mortos?”
Eu entendo o sentimento dela. Entendi melhor ainda ao ver as imagens dos caixões que os membros do Hizballah apresentaram para a imprensa e para a Cruz Vermelha, na manhã de um dia quente em que Israel prendeu a respiração diante da tevê até saber o destino dos “meninos”, como foram chamados durante dois anos.
E até o último momento, a respiração foi suspensa com esperança. Até o último dia, ainda tinha gente dizendo que um, apenas um, soldado estava morto. O outro, não se sabia. Brincaram com a sensibilidade do assunto, com a esperança de famílias e amigos que esperaram dois anos para receber corpos em caixões.
A revolta tomou conta da respiração em suspenso. Enquanto os israelenses finalmente enterravam os dois reservistas, com todo um show de imagens deles vivos, repetidas à exaustão nos principais canais do país, o Samir Kuntar, que ficou preso durante 29 anos e saiu de Israel gordo e risonho, posou no Líbano como herói.
Na manhã seguinte, um jornal estampava duas fotos lado a lado: em uma, Kuntar com uniforme militar – ele já tinha dito que voltaria à jihad – , fazendo a saudação nazista e com um sorriso sádico; na outra, lágrimas de pessoas empoleiradas no enterro de um dos soldados. Difícil não sentir revolta.
E agora, o temor de que o seqüestro de soldados vire moda por aqui – se Israel está disposto a pagar o preço que for para recuperar os seus, quem vai pensar duas vezes se tiver a chance de capturar alguém?
Deixo as palavras do meu amigo norte-americano Jeremy Slavin, com quem dividi um quarto em Jerusalém nos nossos primeiros meses de Israel.
“Eu entendo a imperativa religiosa – e nacional – do Estado de Israel de recuperar corpos de soldados mortos ou capturados. Eu entendo. Entendo mesmo. Ainda me lembro do dia em que Goldwasser e Regev foram levados pelo Hizballah em julho de 2006. O momento, quando eu estava no trabalho em Tel Aviv. Como eu poderia esquecer? Aqueles ataques, não provocados, resultaram em uma resposta de Israel que se tornou a Segunda Guerra do Líbano. (…)
Mas com a alma deles no paraíso, não deveríamos ter tanta pressa para trazer os restos terrenos de volta. Que paz de espírito pode trazer o fato de que os ossos estão enterrados no solo de um país ou de outro? A vida que os animava se acabou. A alma está com Deus. Eles estão em paz. É um conforto frio, eu sei, mas… quando a nossa ‘humanidade’ ou ‘compaixão’ ultrapassa de longe a dos nossos inimigos…“
*Know hope é o apelido de um grafiteiro israelense que faz um trabalho bem bacana, coisas como essa, essa e essa. Mês passado vi por acaso um curta sobre o assunto e conheci o sujeito por trás dos grafites espalhados nas ruas daqui.
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Fico muito triste!!
Eu tinha uma certa esperanca de que os meninos tornariam vivos…e salvos…etc.AInda mais da troca…
fiquei muito triste…mesmo!
ontem eu assisti nat geo…(locked up abroad) e ontem foi sobre abu algo(um dos mais violentos) eles cortam a cabeca…
no mundo ha tanta…loucura…
as vezes (muitas) penso eu…porque tudo isso? (violencia) nuclear power (no maluco do iran e outros)…tantos problems!!! e tanto que poderia ser feito…para sobrevivencia…global warming, pesquisas etc…
nao sei…
(sorry it’s 2 long) pondering..here… ~_~
PPL SUCK!!! hope the new generation of humans…(esperanca) os nenems de agora..(to falando errado) nene? espero que eles facam diferenca de paz e bem no mundo!!
[...] negociações com o grupo palestinos chegaram perto de uma resolução na época da troca dos prisioneiros pelos dois soldados mortos levados pelo Hizballah também em 2006. Depois, [...]