
A mala vermelha (George Ginsburg/Ynet)
Acabou no final da semana passada a busca pelo corpo da menina Rose, de quatro anos, morta pelo próprio avô e desaparecida desde maio. As manchetes dos principais jornais israelenses na sexta-feira estampavam a palavra “finalmente“. A versão em inglês do Ha’aretz abria com “Corpo de Rose finalmente encontrado no (rio) HaYarkon”.
Na quarta-feira, um dia antes de a polícia anunciar que tinha encontrado o corpo de uma menina dentro de uma mala vermelha – correspondendo à confissão do avô – o assassino confesso voltou atrás e disse que não tinha matado a menina. Depois de mais de 100 dias de buscas frustradas, ele achou que o corpo não seria mais encontrado e apostou que, sem evidências, sairia ileso.
Na quinta-feira, por volta do meio-dia, quem pôde correu para frente da televisão para acompanhar, ao vivo, as imagens da mala – uma mochila de mão, pequena, de tamanho bastante para o corpo de uma menina tão jovem, sendo tirada do rio que Tel Aviv nem lembra que existe. Todos pareciam só querer saber da Rose. Depois, a confirmação pelo DNA: era mesmo Rose.
Acabou o caso Rose, que na verdade está só começando, com as investigações, julgamentos e prováveis condenações que nem mais serão temas de conversas como foram as buscas incessantes pelo corpo. O comentarista Noah Klieger, do jornal Yediot Aharonot, escreve hoje um texto em que se pergunta:
O que aconteceu conosco? Assassinos judeus eram uma exceção no exílio; Israel criou um novo tipo de judeu?
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Gabriel, diga ao Noah Klieger que sim, que Israel criou o judeu doente e paranóico, que tem vergonha dos irmãos, que é preconceituoso consigo mesmo e que nem sequer lembra que é judeu.
:S
Eu não sei não, Fernanda. Tenho a impressão de que esse é um triste sinal dos tempos, e não apenas de Israel. Claro que, olhando para o umbigo dele – que é um umbigo israelense – o Klieger acha que é algo daqui. Mas, encaremos a verdade: e a Isabela, jogada da janela pelo próprio pai? E a Madeleine, que continua desaparecida, depois de tanto tempo? E tantos outros casos parecidos e menos parecidos, de violência brutal entre iguais? O mundo está ficando louco. Israel só pegou carona. O primeiro premiê de Israel dizia que sonhava ver esse país como qualquer outro – com prostitutas e criminosos. O sonho dele, infelizmente, se realizou, talvez da maneira mais triste e cruel.
Obrigado pela leitura!