Sobreviver à guerra

24abr06
Ia quase me esquecendo… Fez quatro anos, ontem, que eu vim parar em Israel pela primeira vez. Vim para estudar hebraico em um kibutz, no norte do país, perto de Afula, uma cidade tão pequena quanto pacata, tão parada quanto distante. Me lembro de quando cheguei em Afula, de onde deveria tomar um táxi para o kibutz, 20 minutos de carro dali – e que o taxista, notando como eu estava desengonçado com malas e sem hebraico, me cobrou quatro vezes o valor que eu pagaria depois de passar a conhecer o trajeto. Enfim, o que eu quero não é contar da viagem, dos seis meses sensacionais que eu passei aqui, das pessoas que conheci e de como foi bom me largar em uma aventura da qual não me arrependo em nada. Quero é contar que dias antes de viajar, numa festa de despedida, rolou entre amigos um caderno que eu trouxe comigo e tenho até hoje. E um amigo escreveu uma coisa da qual me lembro sempre, pela poesia e sinceridade dele. Bom, hora de deixar de fazer mistério!

Gabriel,
Sobreviver à guerra não é tão difícil assim. Um bando de gente sobreviveu. O difícil é sobreviver à guerra como fizeram Hemingway, Celine, Cervantes, Jack London. É sobreviver a ela e, além disso, conseguir transformá-la em relatos, narrativas, palavras, notícias – quiçá em poesia. Meu desejo mais sincero não é que você simplesmente sobreviva à guerra. É mais que isso, que você tenha a força e o empenho necessários para transformar essa experiência em algo mais. Retransformar a guerra em poesia. E carregar essa experiência consigo para todo o sempre, ao mesmo tempo que a divide com cada um de nós. Boa viagem.
(FDC)

Passou L’Auberge espagnole hoje aqui na TV. É o filme da minha vida, preciso dizer de novo! Foi bom rever e ler as legendas em hebraico. Saudade da época quando o vi pela primeira vez, também em 2002. Estou precisando ser um pouco Xavier de novo… Estou ansioso para ver a continuação, Les Poupées russes.

Teve um atentado hoje à noite no Egito, na Península do Sinai, com três explosões e pelos números que vi até agora, cerca de 100 vítimas, entre mortos e feridos. Mais no Ynet e na Estadão. Dahab, onde rolaram as explosões, fica a uns 70 quilômetros de Sharm el-Shaikh, onde em julho do ano passado um atentado matou dezenas de pessoas.

(Texto publicado originalmente no 23ª idade)



2 Responses to “Sobreviver à guerra”

  1. 1 ikis

    pois a uma historia de um puto k tava la e ele pensava k era facil depois durante a noite viu um carro suspeito ele foi la tentou abrir a porta e KABUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM o carro expludiu eu sei isso pork o video ta no youtube bem mesmo assim eu e os meus amigos alistamonos no irak mas sao apenas tres dias numa praia com um nome assim tataska a unica coisa k n kero e perder um ou dois amigos ou mais e tambem n gostava de ter stop loss. stop loss significa k vim da guerra mas vou voltar pois varios soldados pra i uns 23 ja tiverem stop loss nessa ilha e um desses soldados da equipa d-12 e o meu primo kficou la 1 ano e 3 meses vem de kualker maneiro parto amanha e estou nervoso se eu voltar eu escrevo aki

  2. 2 Ana Néca

    Acredito qur você também vai se identificar com o Xavier do “Les Poupées…” Afinal, a sua vida corre exatamente na mesma velocidade que a dele. Têm quase a mesma idade, e vivem com essa mochila, carregando pensamentos, gentes e lembranças pra tantos lugares.

    *Quanto ao atentado, diz que no hotel em que ocorreu uma das explosões estavam hospedados muitos israelenses. Seguimos; porque alguém tem que fazer essa tal poesia e não perder a doçura no olhar*

    Beijos


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