Capital eterna e dividida

25maio06

Jerusalém. “Capital eterna e indivisível do povo judeu”. Isso mesmo? Deveria ser, de acordo com a tradição popular judaica. A frase é tão consagrada que o título deste post parece até heresia.

Mas não é. Quem conhece bem esta cidade, sabe que ela não só é divisível como já foi dividida, bem como as cidades brasileiras nas quais vivem os poucos, mas estimados, leitores deste blog!

Ok, hoje comemoramos por aqui 39 anos desde a reunificação da cidade, durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967 (a data se refere ao calendário judaico). No caminho para o trabalho vi fogos de artifício colorindo a muralha da Cidade Velha – lindo!
Mas o fato é que Jerusalém é cidade dividida. Bem como nas cidades brasileiras, aqui há lugares aos quais não se vai, apesar da sensação generalizada de segurança. Não se vai por ser judeu ou por ser muçulmano. Não se vai por vestir kipá ou kfia. Não se vai por medo, o simples medo de não pertencer, de destoar, de ser diferente em uma terra que é de diferenças.

E Jerusalém não é só aquela cujo nome aparece nos livros sagrados das religiões que insistem em ser parecidas no monoteísmo delas, apesar das diferenças: Yerushalaim, “a cidade da paz”, para os judeus, Al Quds, “a sagrada”, para os muçulmanos.

A cidade de ouro, cujas muralhas brilham nesta época do ano com o sol, tem divisões até no transporte coletivo. Ironia? No lugar em que estatisticamente mais terrorismo acontece no mundo, árabes e judeus têm linhas de ônibus independentes umas das outras.

O traçado da Cerca de Segurança que rasga Jerusalém divide a cidade dela mesma. Quem pára perto da Cinemateca antes do anoitecer consegue notar não muito longe dali, depois do vale do inferno, como é chamado, o muro de 7 metros de altura que divide o cá do lá. A cerca aqui é muro. É um risco tortuoso e cinza na cidade sagrada para tanta gente. Jerusalém é também a cidade na qual em alguns ônibus homens se sentam à frente e mulheres, na parte do fundo: a imposição ortodoxa judaica.

A Cidade Velha, ela mesma, é território dividido, em quatro. Divisões que se entrelaçam. Os bairros são testemunhas de gente que não pertence a eles. Judeus desfilam seus ternos e chapéus pretos nas ruas com nomes árabes ou armênios. Kfias vermelhas ou pretas passeiam por esquinas do bairro judeu. Todos visitam o “quarto” cristão…

Tem uma frase interessante, que eu cito de memória, de um autor de quem não me lembro o nome agora.
Jerusalém é um local esquisito: é o único local onde árabes muçulmanos vestindo trajes tradicionais vendem símbolos cristãos a peregrinos do mundo todo em troca de uma nota de dinheiro que estampa a imagem de um rabino…
No final das contas, a cidade dividida une religiões, une fés, une povos separados pelas diferenças. Mas a notícia do dia por aqui foi outra, como o Pedro Doria comentou lá no NoMínimo.
[CLICK] As fotos, que não são minhas, apresentam algumas facetas da Jerusalém dividida.
[NOMÍNIMO] Entendi a razão de tantos comentários nesse post – o mesmo Pedro Doria falou do assunto e linkou o 23a idade lá no NoMínimo. Embora não concordemos na polêmica “unificação x tomada”, gostei de ver o 23a em um dos sites que leio todos os dias! UPDATE. Como o NoMínimo saiu do ar, vai o link para o blog do Doria, onde ele publicou o texto e o link: Ônibus de um e de outro.
(Texto publicado originalmente no 23ª idade)


12 Responses to “Capital eterna e dividida”

  1. 1 Anonymous

    Ola Gabriel…

    Em primeiro lugar,gostaria de externar meus parabéns por esta bela postagem!O mundo virtual me fascina…me surpreende.Na realidade você abordou um assunto muito interessante.
    A metade do século VIII a.c,foi uma fase da história em que houve prosperidade abundante tanto, para Israel quanto para Judá. Ambos desfrutavam de êxito político e ecconômico. Conta a história, que devido ao modo de vida ináceitavel aos olhos de Deus,Israel foi duramente castigada(não só Israel como seus vizinhos,dentre eles,Judá).
    Claro que diferenças existem entre nações e povos em toda face da Terra mas, a pergunta é: “Será que esta “divisão” existente em Israel não é proveniente de uma maldição divina?”
    Eis a questão…

    Abraços
    Maira Vidal
    mairavidal@hotmail.com

  2. 2 Nathy

    Jerusa, Jerusa… Hine ani ba! :D
    Beijos meu amigo

  3. 3 Ana Néca

    Relendo o post, sinto mais vontade de ir aí.

    A presença de tantas diferenças, por algum motivo, me atrai muito! Quem sabe é porque a cada dia vivo mais imersa nelas. E aprendo a respeitá-las…

    Beijoca

  4. 4 cilene

    sera que um dia sera diferene?

  5. 5 Anonymous

    Vamos pra Índia?
    Beijos,
    Nena

  6. 6 Grazi

    Gabo, é uma idéia de se conversar, não de se escrever… tipo troca de idéias. Não gosto dessa idéia de e-mails monólogos!

    Nada de muito pressa, quando vc estiver on-line e eu tb, a gente conversa!

    Beijos
    Shavua Tov

  7. 7 Carla

    Quis dizer LINDAS fotos,

    Bjos,

  8. 8 Carla

    Jerusalém é mágica mesmo,nao tem explicaçao.

    Ótimo post,lidas fotos.

    Beijos,

  9. 9 Anonymous

    Mesmo dividida, Jerusalem pra mim é sempre magica, espiritualissima!!
    É sempre com uma sensaçao boa que vou embora dai!
    Di

  10. 10 Grazi

    que fotos lindas….. são suas???
    Tenho idéias.. quando puder, entra no msn para falar comigo!!

    Beijo

    Grazi

  11. 11 Ellen

    Tah mto bom!
    Eh isso ai, tem q atualizar sempre.
    Bjs e ateh amanha

  12. 12 Anonymous

    Bello!!
    Mas ainda…tenho uma atracao pela Tel Aviv…
    curiosidade de Jerusaleeeem…Haifa….
    Se cuiiida..Senhor T. ^_^


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