Passárgada, anotações

20fev08

Vou-me embora. Apesar de informações recentes em contrário, vou-me. Vou no vento daquilo que, como disse, gosto mais e que é a única coisa que sei fazer direito, o jornalismo. E vou porque lá a existência é uma aventura/ De (…) modo inconseqüente.

Passagem interessante essa minha pelo Brasil. Tão interessante que vai deixar saudade de modo especial.

Vou sentir uma saudade meio louca de São Paulo, com todos os problemas dessa cidade que, apesar de não ser, sabe ser maravilhosa. Vou sentir falta do vai-e-vém de pessoas sempre ocupadas, sempre frenéticas, sempre compromissadas com a vida que precisam levar, cheias de trabalho e de horários apertados, nessa cidade que caminha unida, parece, em direção a não sabe onde.

Anotei no meu Moleskine, logo que cheguei em dezembro, que “Brasil é vida real”. Foi uns dias antes de ver Tropa de elite, até. Vida real… Quando já tinha arrumado trabalho e precisava arranjar um apartamento, fiquei uns dias num hotel. E anotei: “que mundaréu de prédios! Da janela onde estou, na ponta da avenida Paulista, no alto do ponto mais alto de São Paulo, só vejo cimento”.

“E ouço buzinas, no movimento amalucado de motoristas e motoqueiros que parecem sempre apressados, atrasados. E, no contraste, o horizonte de edifícios altos, frios, imóveis, distantes e próximos, incontáveis. Vejo apenas o céu e muitos, muitos prédios. Apenas prédios e o som do trânsito nervoso e incansável”.

Papo de caipira que acabou de chegar na cidade grande! Bem… Outro dia, esperando uma amiga no Sesc da mesma Paulista, anotei: “um café no ponto mais alto do ponto mais alto de uma cidade. Que outra cidade, senão São Paulo, poderia dar tal coisa? E ainda tem som ao vivo, jazz, que combina com café, combina com a vista e combina com amigos – até combina com companhia nenhuma, com a solidão particular em meio à multidão”.

E teve outra ocasião em que, romântico que sou, rabisquei algo sobre a menina brasileira que um dia conto por aqui. Respiro fundo ao pensar na curta temporada de Brasil 2008. Dá aquele nó amargo na garganta. Queria poder viver entre mundos…

PS.: ontem a revista Imprensa comemorou 20 anos e lançou um livro, Vintenário. Fui no evento, ganhei o livro e ganhei a chance de presenciar um bate-papo muito bacana com o Tom Zé (ele é ótimo), a Soninha e o Paulo Markun. Eles falaram sobre um mundo sem jornalismo. Frase do Tom Zé, que, caramba, tem 71: “até quando vou ficar engajado no futuro sem nem conhecer o presente?”

*Tem motivo de sobra pra bebemorar a despedida na sexta, no Sake Sushi. Basta aparecer!



One Response to “Passárgada, anotações”

  1. ora ora… nem digo nada. vc é lindo desde as palavras. e a saudade sem dúvida não será só sua.


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