Você se torna eternamente responsável…

14mar08

As pessoas tratam suas cidades da forma como elas, as cidades, tratam as pessoas. Cheguei a essa conclusão, entre muitas outras, depois dos três meses que acabei de passar no Brasil e de dois dias e meio em Madrid. E, claro, depois de 25 anos vivendo em São Paulo e de quase quatro em Israel, entre Jerusalém e Tel Aviv.

Não foram só essas cidades, contudo, que eu observei para chegar a essa conclusão. Seja em visitas de algumas horas, entre um e outro vôo, seja em mais longas estadas, aprendi a olhar a relação entre as pessoas e as cidades. E descobri que se o indivíduo se sente protegido, seguro, livre e, principalmente, parte, ele respeita a cidade em que vive.

Claro: não é o caso da maioria das cidades brasileiras. Talvez por isso as ruas sejam tão sujas, haja tantas bitucas por toda parte, pichações em toda parede e uma sensação de que… melhor não tocar. Talvez por isso o trânsito seja feito de costuras e de violência, de agressividade.

Saí do Brasil com sensações muit0 boas, mas não deixei de reparar em coisas que só vê quem tem a capacidade do distanciamento… Não quero ficar comparando cidades. Apenas tenho pena de não poder me sentir, na minha terra, que já está me fazendo muita falta, protegido, seguro, livre e, principalmente, parte.

Estou de volta em Israel. Em Tel Aviv, a cidade que um dia eu desejei intensamente. Ao frio do Oriente Médio. Vim e, ao chegar, não havia malas. Cinqüenta quilos de livros desaparecidos. Depois, os livros apareceram, mas as roupas não. Maravilha…



3 Responses to “Você se torna eternamente responsável…”

  1. Saudade. ‘Ade. ‘Ade…
    Sanduíche. ‘Iche…
    Hahaha.
    Beijo

  2. Nothing much to say right now… ;)
    ILY!

  3. 3 Nat;)

    Tão longe e tão perto…
    Esta é a sensação que tenho de Israel…
    Longe fisicamente, mas incrivelmente perto de meus pensamentos, meu coração…
    Acredito que somos parte daquilo que nos identificamos…por isto este destrato com as cidades, muitas vezes terra de ninguém! Uma pena esta falta de sentimentalismo nas pessoas, quase sempre revoltadas com a vida que levam nos grandes centros urbanos..daí a expressão “Fugere Urben”,que vem desde a época dos árcades e que sintetiza este nosso desejo de fugir para um mundo mais bucólico…
    Concordo com você Gabi…fica difícil se sentir parte de algo que não nos passa a sensação de estarmos protegidos…infelizmente uma dura realidade de nossos dias!


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