Parada gay da minha janela

06jun08

Faz quatro anos quase que eu moro em Israel e só hoje consegui participar da famosa parada gay de Tel Aviv. Antes, vivendo em Jerusalém, ficava mais difícil. E eu quase perdi a parada. Mas ela passou literalmente embaixo da minha janela, cheia de arco-íris, cheia de beijos de homem com homem e de mulher com mulher, cheio de plumas e paetês, cheia de alegria, de cor, de música e de erotismo. Comecei a fotografar da minha janela e acabei descendo e caminhando com o povo até a praia. Ótimo!


Fotos: Gabriel Toueg

Parada gay em Israel é coisa que merece uma discussão antropológica! Há alguns anos uma tentativa de parada gay em Jerusalém (a “Cidade Santa”) terminou com um sujeito esfaqueado por um ortodoxo fundamentalista. Em Tel Aviv, a “Cidade do Pecado”, livre, leve e solta, tudo é mais permitido e uma coisa assim dificilmente ocorreria. Ao contrário – hoje eu vi no meio da parada um ortodoxo cantando canções religiosas cercado de jovens coloridos pulando e fazendo graça.

Da matéria do Ynet, que eu linkei lá no alto: “Morry, um turista japonês, esteve na parada e disse que ‘é maravilhoso, eu sei que isso é proibido no judaísmo e mesmo assim muitas pessoas vieram, até o prefeito deu apoio. É algo que nunca aconteceria no Japão'”. De fato. E é possível entender. Há quem diga que parada gay nenhuma no mundo, por maior que seja, se compara com a daqui.

Apesar de Tel Aviv ser assim liberal e permissiva, houve olhares de desaprovação no meio da platéia. Uma mulher, ao ver um garoto quase nu, dançando e rebolando, balançou a cabeça e colocou a mão sobre a boca em sinal de que não estava lá gostando do que via. Do alto de uma varanda, um religioso observava tudo em silêncio e não quis falar sobre o assunto…

Mas os participantes não estavam lá para testar as reações das pessoas ou para provocar – embora a passeata tenha sido sim bastante provocativa, com muito erotismo. Eles vieram para fazer festa, e festa é algo que gays – especialmente em Tel Aviv – sabem fazer muito bem.

E, para finalizar o assunto, vejam só que boa sacada do Google, que é fortíssimo em Israel (e naturalmente colorido em todo o mundo!). Eles não esquecem que propaganda é a alma do negócio…



4 Responses to “Parada gay da minha janela”

  1. 1 Alessandra Gabor

    Se não isso, o que faz de nosso país uma democracia em plena terra de regimes autoritários?

    A beleza do judaísmo está justamente na pluradidade. Enche-me os olhos ver, numa pequena parte do mundo, o branco-e-preto dos trajes religiosos em contraste com os brilhos da vida gay.

    Entre ser mono ou multi cromática, fico com o meio termo, o tom mais difícil de se alcançar.

    Admiro a aventura que vive aí em Israel.
    Gosto das palavras que usa para contá-la.

    Parebéns.

  2. Esta sua janela, heinn?!? hehe…
    Dá asas a imaginação! rs…
    Mas não pense que esquecemos da sua promessa de escrever sobre a Marcha…
    Você nos deve essa! hehe…
    Apesar de concordar que a cobertura da parada gay foi boa! Digna de um “metsuián”! hehe…
    Bjs;)


  1. 1 FOTO DO DIA: A parada gay e a polêmica dos números | Gabriel Toueg: jornalista
  2. 2 Gays e a farda « CARTEIRO SEM POETA

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