Metendo o dedo

07jul08

Em tempos de negociações para libertar os dois reservistas capturados pelo Hizballah há dois anos na fronteira com o Líbano – eles já são dados como mortos – e o soldado levado pelo Hamas há dois anos na fronteira com a Faixa de Gaza, o que todo mundo quer saber mesmo é se Israel participou ou não do resgate da Ingrid Betancourt e de outros catorze das mãos das Farc, na Colômbia.

É que o povo está meio cansado da história da troca dos soldados aqui. Há dois anos o país foi arrastado para uma guerra por causa do seqüestro dos dois reservistas. Dois anos depois, com os dois certamente mortos, os israelenses precisam ver o país se dobrando ao mesmo Hizballah, para conseguir os corpos em troca de cinco prisioneiros bem vivos e outras condições mais.

Vale lembrar que um dos libaneses, o Samir Kuntar, preso em Israel desde que este blogueiro nasceu, há quase 30 anos, já disse que, se for solto, vai voltar a combater Israel. Em 1979 ele matou um israelense no norte do país na frente da filha. Depois, esmagou a cabeça da menina com uma pedra. A mãe, no desespero, se escondeu em casa e sufocou a outra filha ao tentar mantê-la em silêncio.

E Israel vai soltar o sujeito em troca de mais dois mortos.

Ouvi hoje, em papo de boteco, que há alguns meses soldados de uma unidade especial do Exército israelense teriam estado na Colômbia, talvez nunca saberemos para quê. Quando o mundo soube da notícia do resgate, depois de seis anos, de Ingrid, e depois que disseram que não se passou de uma encenação paga pelos Estados Unidos, divulgaram por aqui que sim, Israel esteve de fato envolvido na operação.

A informação, inclusive, repercutiu, claro, na Colômbia. Ela mesma, a Ingrid, falou do assunto.

Depois, desmentiram.

Ficou a dúvida.

Uma coisa é certa: não se pode misturar as estações. Se houve participação de Israel (e esse blogueiro ousa acreditar que houve), não foi do governo, ou do Exército. O dedo no bolo teria sido de uma empresa israelense particular de segurança, cujos donos são, naturalmente, ex-militares.

E foi assim, com ou sem o dedo de Israel:

Ainda bem. Seria mais negócio para Israel fazer como os colombianos e usar a inteligência e a estratégia para recuperar os soldados, os vivos e os mortos, do que se dobrar a concessões de grupos terroristas.



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