Paz fria?

15jul08

Olmert e Assad: frieza (Reuters)

A foto diz tudo. O cenário é a Paris de ontem. O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, à esquerda da imagem, abraçando calorosamente o presidente do Egito, Hosni Mubarak. No canto direito, o presidente sírio Bashar Assad, de costas para Olmert.

Tudo durante a tentativa da França de criar a Union pour la Méditerranée entre a Europa e países do Oriente Médio e do norte da África – o “Club Med do Sarkozy“.

Apesar das anunciadas e comemoradas negociações (indiretas, mediadas pela Turquia) entre Jerusalém e Damasco, o (des)encontro entre os dois em plena Praça da Concórdia, em Paris, mostra a que ritmo anda o diálogo…

Enquanto isso, Olmert disse, no mesmo cenário, posando de mãos dadas com os presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Mahmud Abbas, da Autoridade Palestina, que a paz com os vizinhos sem país nunca esteve tão próxima. Só pode ser piada.

O comentário acontece no momento em que Jerusalém tenta negociar a liberdade do soldado Gilad Shalit, levado pelo Hamas em 2006, e no mesmo momento em que um cessar-fogo capenga não consegue barrar o disparo de mísseis Qassam contra as cidades em torno da Faixa de Gaza. Paz?

Abbas, que sempre parece mais pessimista e pé no chão que Olmert, mediu as palavras antes de completar com o bordão “somos sérios e queremos alcançar a paz”.

O comentário de Olmert vem também no momento em que Israel e o Hizballah se preparam para trocar presos e defuntos, amanhã. A cerimônia deve deixar um sabor azedo em Israel, que ainda espera ver os reservistas chegando caminhando, ainda que debilitados, e não em caixões. Do lado libanês, festa. E o temor de que o Hizballah esteja preparando mais um ataque logo depois da troca…

Em Israel a impressão é a de que quanto mais perto de um indiciamento pela polícia, mais perto Olmert parece acreditar estar da paz com os vizinhos – com os palestinos, com os libaneses ou com os sírios, apesar de nem ter trocado olhares (nem falar de apertos de mãos, claro) com Assad.

Assad, aliás, foi categórico em uma entrevista dada à televisão francesa: “não estamos procurando símbolos”. Ele e Olmert nunca estiveram tão próximos e tão distantes. Talvez não tenham se dado conta de que a foto que mostra a frieza entre eles é um símbolo mais forte do que um aperto de mãos poderia ser.

(Dica do Me tire deste ócio)



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