Déjà vu

22jul08

Outra vez. Parece piada, sério. Quando vi as imagens, não acreditei. Outro trator, outro árabe-israelense, mais carros virados e amassados, de novo Jerusalém. Dessa vez, nenhum morto além do sujeito do trator, mas 24 feridos, um em estado grave. Déjà vu também nas palavras do apresentador do principal jornal televisivo: “os moradores de Jerusalém tiveram que esfregar os olhos para acreditar no que estavam vendo”.

Dessa vez, o ataque ocorreu na rua dos hotéis de luxo de Jerusalém – rua, aliás, que recebe o nome do King David, hotel no qual o Barak Obama, que chega logo mais a Israel, vai se hospedar. O Obama, aliás, está passeando pela Europa e pelo Oriente Médio para tentar mostrar que os eleitores podem confiar na política externa democrata.

Em Amã, capital da Jordânia, o senador correu para o microfone e soltou o verbo, em declarações que vão lhe custar caro como aquelas feitas no discurso no Aipac, quando ele disse que Jerusalém deveria ficar nas mãos de Israel. Hoje, mais óbvio, Obama condenou fortemente o ataque e prometeu estar sempre ao lado de Israel na luta contra o terrorismo e na busca pela paz e pela segurança…

De novo, as imagens chegaram rápido ao YouTube, claro.

Seria cômico, trágico não fosse.

Dessa vez vai ser difícil não rotular de terrorismo. Bati o pé no ataque anterior, que acabou sendo provado pela polícia israelense como um incidente isolado – criminoso, sim, mas não relacionado com terrorismo. Dessa vez, depois que o modus operandi já foi criado, depois que se descobriu que também tratores podem ser armas para ataques, não tem como dizer que não se trata de terrorismo. E é. O sujeito no comando do trator de hoje, 22 anos nas costas, era parente de Muhammad Abu Tir, um político do Hamas preso em Israel.



2 Responses to “Déjà vu”

  1. 1 Gabriel Toueg

    Enviei o seguinte comentário para o site De Olho na Mídia, mas ele não foi publicado, talvez por ferir os interesses de quem administra o site. Portanto, como O Carteiro é um espaço verdadeiramente democrático, decidi reproduzi-lo aqui.

    É cegueira preconceituosa não reconhecer o que até a polícia israelense reconheceu no caso do primeiro incidente com o trator: foi um ataque criminoso, sem sombra de dúvida, mas não pode ser rotulado de terrorismo. Se o motorista do trator fosse um judeu em vez de um árabe-israelense, ninguém ia se apressar a qualificá-lo de terrorista. Ia apenas ser tratado como criminoso, como as dezenas de judeus israelenses criminosos de diversos tipos que há nesse país – como os pedófilos, as mães que vendem filhos, os assassinos por razões estúpidas. Se eles não são terroristas, e não o são, o motorista do trator, do primeiro, também não o é. Mas quando o mesmo tipo de ataque se repete, feito por um sujeito que é parente de um político do Hamas preso em Israel, a coisa muda de nome – e passa a existir razão ao chamá-lo de terrorismo.


  1. 1 Em série « CARTEIRO SEM POETA

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