Heróis nacionais (?) do esporte

05ago08

Faltam três dias para o início das olimpíadas de Pequim, e, em todo o mundo, a ansiedade é grande. Aqui em Israel, país sem muita tradição no esporte e apenas uma medalha de ouro na história dos jogos olímpicos (conquistada, aliás, em 2004, quando eu já estava aqui), uma série de propagandas na televisão deseja boa sorte aos competidores.

Os comerciais, que estão sendo veiculados em horários nobres, contam que um terço dos atletas israelenses não são, de fato, israelenses, mas imigrantes. Em um país formado por gerações de olim chadashim (novos imigrantes, em hebraico), o quadro de competidores olímpicos não poderia mesmo ser de apenas israelenses.

Os comerciais, patrocinados pelo Ministério de Imigração e Absorção, apresentam os atletas com o texto: Em Israel ele é apenas um imigrante. Mas, nas olimpíadas, ele é um campeão. Juntos fazemos a diferença.

Com um sotaque fortíssimo de russo (a maioria dos atletas, na verdade, vem de países soviéticos), um dos atletas diz:

Fico muito emocionado quando subo ao pódio e ouço o nosso Hatikva (hino de Israel). Eu sei o que preciso fazer para ouvir o hino.

Uma outra diz, também com um forte sotaque:

Eu acho que a bandeira de Israel é a bandeira mais bonita.

Falando em olimpíadas, repararam nos números dessa edição dos jogos? Bilhões de dólares em investimentos, milhões em patrocínios, tudo grandioso. Os números de Israel são modestos. Embora a delegação que participa dos jogos em 2008 seja a maior da história, são apenas 43 atletas, contra 277 do Brasil, por exemplo. Aliás, esse número também é o maior na história de participações brasileiras!

Para ninguém dizer que eu estou comparando um país de pernas-de-pau com o Brasil, dou outros números locais, de país tão tradicionais nos esportes como Israel: o Egito tem 103 atletas em Pequim. O Irã tem 55. Mas a Arábia Saudita tem apenas 16, a Síria tem 7 e o Líbano, só 5. O Iraque tem 2.

A lembrança geralmente associada às olimpíadas, aqui em Israel, é a dos jogos de 1972, em Munique, quando atletas e treinadores da delegação israelense foram alvo do grupo palestino Setembro Negro. Onze deles foram mortos.

Que venham os jogos. Panis et circenses.



3 Responses to “Heróis nacionais (?) do esporte”

  1. Quando meu site tiver construido, te aviso

    No mais, um dia pretendo passear pela sua cidade.
    E quando este dia chegar….quer uma má companhia?

    besos

  2. 2 Victor Grinbaum

    Uma vez, num programa humorístico gringo que não me lembro mais qual era, foi feita uma piada em que se dizia mais ou menos que “o menor livro do mundo é o almanaque de feitos esportivos do povo judeu”.
    Bom, antes de 48 esse livro poderia ser editado juntamente com um “almanaque de grandes vitórias militares do povo judeu” mas, no entanto…
    As coisas mudam. Em 2004 o velejador abiscoitou o primeiro ouro. Quem sabe esses russos aí não nos dão uma forcinha?

  3. Bom so quero dizer que Ameiiiiiii!! Que vc e muito competente e que com certeza colhera muitos bons frutos do teu trabalho cheio de profissionalismo!!!


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