Pressão demais?

16ago08
Ariel Ze'evi em Atenas, 2004 (Ynet)

Ariel Ze'evi em Atenas, 2004 (Ynet)

Israel não tem tradição olímpica, mas as coisas mudaram em 2004, quando um israelense voltou de Atenas com a primeira medalha de ouro da história do país. Era agosto de 2004, eu tinha acabado de chegar a Israel, mal falava hebraico, mas fui para o aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, cobrir a recepção do Gal Fridman, ouro na vela.

Lembro que na confusão no aeroporto eu conversei com a mãe do Fridman, que não conseguia esconder a alegria, claro. O filho dela, com quem também falei, tinha se transformado em herói nacional em uma época em que o país apenas saía da fase mais pesada da segunda intifada. A recepção tinha cara de festa em família, sensação comum em um país tão pequeno.

Tão pequeno que, um ano depois, Fridman fez um apelo para que devolvessem a ele a medalha, que foi roubada da casa dele.

Também não me esqueço do Arik Ze’evi, que levou o bronze no judô. Bem menos festejado do que Fridman, Ze’evi se manteve quase à margem da festa azul e branca do aeroporto. Os israelenses queriam comemorar o ouro inédito. Estavam bem menos interessados no bronze, que o país já tinha levado antes, em 2000 no caiaque, em 1996 na vela (também com Gal Fridman) e em 1992 no levantamento de peso. Aliás, 1992 foi o ano das primeiras medalhas da história de Israel – que teve prata no levantamento de peso feminino.

Mas o judoca se transformou na esperança israelense do ouro em Pequim. De repente, só se falava nele, no judô e na certeza de que ele traria outro ouro. Não deu. E por causa do brasileiro Luciano Correa. Em uma entrevista que deu semanas antes de embarcar para a China, Ze’evi disse estranhar o fato de que os israelenses consideravam certa a conquista da medalha de ouro. De novo, como em 2004.

A certeza era tão grande que virou lugar-comum. Na imprensa só se falava no ouro que ele traria. Aqui, por exemplo, em foto do portal Ynet, a legenda diz: “Arik Ze’evi: quinto em Sidney; terceiro em Atenas; primeiro em Pequim?“. Semanas antes do começo dos jogos na China ele aparecia em diversos outdoors em Israel.

Talvez tenha sido a pressão, talvez não. Mas, depois da derrota, ele ficou muito emocionado e chorou. Só depois de passar duas horas trancado no vestiário com o irmão, ele conversou com a imprensa.

Não sei o que aconteceu comigo. Pareço uma mulher grávida. Não consigo me imaginar deixando o esporte. Eu não consegui manter o foco que em geral tenho nesses eventos; talvez a pressão tenha me afetado. Competi com oponentes muito duros. Todos são destros, e eu tenho um problema com destros, e é possível que uma das penalidades contra mim tenha sido um pouco dura, mas eu certamente não mereci uma medalha hoje.



2 Responses to “Pressão demais?”

  1. Aqui na Bananalândia a coisa tb pegou pro lado do Diego Hipólito … Tinha apressão que ele até que administrou bem, mas que a Grobo não conseguir segurar … Cara, se vc assistisse a transmissão, ia ficar angustiado com a patriotada eqto ele não competia. E no final, com o sujeito completamente arrasado, ficou aquele clima de “ele teve méritos, os outros tiveram sorte”. Tb no atletismo, a Jade tb não conseguiu esconder que a pressão lhe tirou a tranqulidade e a patoacada global se fez ainda mais bizarra ..

    Por essas e por outras, minha leitura favorita para acomanhar a orgia olímpica é o Bronze Brasil !!!
    http://bronzebrasil2008.wordpress.com/

    abcs

  2. Coitado, e pressao demais pra ele! Parece o mesmo tipo de pressao que o Brasil faz com a Daiane dos Santos.
    beijocas!


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