22 anos, longe de casa

28ago08

Hoje é o aniversário de 22 anos do soldado israelense Gilad Shalit, capturado pelo Hamas em 25 de junho de 2006. É o terceiro aniversário dele desde o seqüestro, o terceiro longe de casa. Desde a captura, o Hamas divulgou duas vezes sinais de vida do soldado – uma gravação no primeiro aniversário de Shalit e uma carta no segundo aniversário do seqüestro.

Aqui em Israel ninguém cogita que ele possa estar morto.

A esperança, dizem, é a última que morre…

As negociações com o grupo palestino chegaram muito perto de uma resolução na época da troca dos prisioneiros libaneses pelos corpos dos dois soldados levados pelo Hizballah também em 2006. Depois, renovação dos conflitos na Faixa de Gaza, o Egito tentando moderar e o Hamas tentando envolver a Alemanha… e nada resolvido.

Back to square one.

Neste momento os familiares de Shalit e dos dois reservistas capturados pelo Hizballah estão na praça Rabin, o centro das manifestações políticas dos israelenses. Eles e algumas centenas de pessoas, com discursos, faixas, banners, velas… O pai de Shalit, Noam, símbolo maior da luta contra o governo israelense para recuperar o filho, acabou de dizer que a única novidade sobre as negociações que tem em mãos é o fato de que não há negociações.

De novo, criticou o governo, de novo criticou o premiê Ehud Olmert. Disse que o premiê prometeu trazer o filho de volta até o fim do mandato. Faltam apenas algumas semanas para Olmert sair…

A reação de Noam é compreensível. Além de ser pai de um soldado desaparecido há mais de dois anos, ele tem visto incrédulo o governo israelense libertar centenas de palestinos como “gestos de boa vontade” com a Autoridade Palestina. Sobre a última leva, de 198, um especialista ouvido pela Folha disse: “Ato marginal“.

Desde que o Hamas tomou à força o controle da Faixa de Gaza, um ano depois da captura de Gilad Shalit, mais de mil palestinos foram libertados por Israel. A estratégia de tentar fortalecer o presidente palestino Mahmud Abbas não tem funcionado desde então – Abbas não tem força entre os palestinos e não é visto com confiança pelos israelenses.

Enquanto isso, líderes palestinos prometem uma terceira intifada. Com o aviso de que o levante não vai ser contra Israel, mas uma revolta popular para tirar a Autoridade Palestina do poder. É esperar para conferir.

Políticas e diplomacias à parte, os israelenses se reúnem para protestar contra o governo. Em cada aniversário de cada soldado capturado cá ou lá, manifestações e o slogan que virou lugar-comum: “Não deixem a indiferença matá-los”.



One Response to “22 anos, longe de casa”

  1. 1 Victor Grinbaum

    Eu não sei não, mas às vezes penso que o governo israelense é mais culpado pelo seqüestro de Gilad que o Hezbollah…


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