Política no gramado

31ago08

Hoje, domingo, é dia de partidão de futebol aqui em Israel. Mesmo eu, que não sou fanático por futebol, vou dar um jeito de ver o jogo. Se não fosse tão longe, até iria no estádio, para ver de perto. O motivo de tanta empolgação não é a bola, mas a política que vai estar no gramado em jogo a partir das 20h50 locais. Israel vai parar.

É que o jogo de hoje, pela Liga das Ligas, é entre o Beitar Jerusalém e o Bnei Sachnin. Para quem não entendeu: trata-se de uma disputa entre um time apoiado por extremistas de direita e um time de uma cidade árabe. Quebra-pau e ofensas são esperados. O jogo foi anunciado durante toda a última semana com muita festa na televisão israelense.

Veja aqui estatísticas de disputas entre os dois times.

O Beitar Jerusalém, na verdade, é mais que “um time apoiado por extremistas de direita”. Bem mais. As pessoas morrem de medo dos torcedores que circulam na região dos estádios com camisetas e cachecóis amarelo-ovo em dias de jogo. Eles são violentos, desrespeituosos (leiam aqui sobre o episódio em que vaiaram o ex-premiê Rabin e gritaram o nome do assassino, durante um jogo) e racistas.

O Sachnin foi o primeiro time árabe-israelense a vencer uma competição nacional. Embora os jogadores do Bnei Sachnin tenham sido acusados, há algumas semanas, de roubar perfumes no free shop do aeroporto Ben Gurion quando viajavam para um jogo na Europa, eles não são violentos como os do Beitar Jerusalém.

Mas jogos entre os dois times sempre acabam em briga, de vez em quando, em prisões. Veja aqui imagens de uma partida entre os dois clubes. Em 2004, quando um brasileiro jogava no Sachnin, o time ganhou a competição nacional – o que enfureceu os torcedores do Beitar Jerusalém, claro.

Naquela ocasião, depois da vitória, um documentário chamado “Nós tampouco temos outra terra“, dirigido pelo ex-correspondente da CNN em Israel, Jerrold Kessel, mostrou a luta do time para sobreviver. O nome do documentário é uma referência ao slogan sionista “Não temos outra terra (senão Israel)”.

O editor de esportes do Jerusalem Post conta a dificuldade (financeira) pela qual o Sachnin passa. E aposta que o Beitar Jerusalém vai brigar (e eu não entenderia essa palavra no sentido mais pacífico dela) pelo campeonato, que, se vier, vai ser o terceiro consecutivo. Que role a bola! E a política!



3 Responses to “Política no gramado”

  1. “como aqui no Brasil é o funk e as drogas.”

    Se ele tivesse escrito “samba e cerveja”, saberia que o Victor é de SP … mas acho que ele é de RJ … E, pessoalmente, não creio que as massas brazucas tenham algum tipo de afinidade ideológica que se manifeste na defesa e/ou divulgação de alguma idéia.

    De fato, a maioria dos integrantes das organizadas em SP (com exceção da Gaviões, creio) tem na violência sua mola mestra. Então, Victor, “repressão severa” vai dar em “cagada severa” (rs)

    Que tal pensarmos mais em termos de inteligência social do que em controle social ???

    Abcs

  2. 2 Victor Grinbaum

    O futebol virou uma espécie de universo paralelo, onde os torcedores se sentem como num microcosmo onde podem extravasar livremente seus “instintos mais primitivos” (by Roberto Jeferson). É assim no mundo inteiro. O radicalismo dos tempos do Irgun e do Stern parece que só sobrevive hoje dentro deste tubo de ensaio da torcida do Beitar. A comparação com os hooligans e torcedores extremistas da Europa é inevitável. Mas cada sociedade adapta a violência esportiva ao seu clima. Se na Europa é a xenofobia que rege esses espetáculos macabros, aí é a ideologia dos fundadores como aqui no Brasil é o funk e as drogas.
    Uma loucura? Total! Não conheço outra saida que não seja a repressão severa.
    É como dizia aquela camiseta da “Casseta Popular”: “Pra acabar com a violência só dando muita porrada”, hehehehe…

  3. … so nao sera mais violento q fla x flu!
    ; )

    Quero ver isso tb…
    Bjinhos!


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