Al tadichu oti!*

04set08

Eu cheguei a apostar que o Big Brother não viria a Israel. Acontece que eu estava completamente errado. “Ha ach ha gadol“, como está sendo chamado na versão daqui (literalmente “o grande irmão”), começou na segunda-feira, e já está movimentando audiências, fóruns e a cabeça das pessoas.

Por falar em audiência, a estréia do programa, no Canal 2, atingiu 30,3% de rating. Na terça, a audiência foi um pouquinho menor: 29 por cento – mesmo assim, continuou desbancando programas de outros canais. Na empresa onde eu trabalho – um canal de televisão – uma das televisões na recepção fica ligada o tempo todo no programa. E a recepcionista me confessou que sempre dá uma espiada…

Big Brother em Israel não é apenas um programa em que dezesseis pessoas (entre elas pai e filha e irmãos gêmeos!) ficam confinadas em uma casa por 100 dias, sem contato com o mundo exterior. Os participantes da primeira edição israelense do reality show são muito diferentes uns dos outros e espelham as confusões da complexa sociedade israelense.

Percebe a salada: uma ex-religiosa, um homossexual e o irmão gêmeo machão, um telavivi acrobata e estudante, um mestre de obras marroquino e a filha peruona, uma árabe cristã, um fulano que trabalha com high tech, um religioso sionista que deixou a mulher no nono mês de gravidez para participar do programa.

E tem mais: um sujeito patriota e romântico, uma russa bonitona, uma imigrante francesa apaixonada por animais, um homófobo que não gosta de árabes, uma mãe de duas crianças que mora em um moshav (comunidade), uma patricinha que mora no norte.

Embora o BB tenha demorado anos para chegar aqui (uma das razões que me fizeram apostar que o programa nunca passaria no país), o gênero reality show não é nem novo nem ignorado em Israel.

Estão no ar em diferentes canais programas de realidade de vários tipos. Apenas no canal 10, entre passando e passados: Laredet be Gadol (em que os participantes precisam emagrecer para ganhar), Ha Yafá ve ha hachnun (cópia do Beauty and the Geek), Nikmat ha Mechunanim (competição entre pequenos geninhos) e Ha Hisardut, o Survivor israelense.

A febre desses programas é coisa séria na Terra Santa. Há dois meses entrevistei uma das participantes do “Survivor” israelense, a Yael Zafrir. Batendo papo em um café, numa sexta-feira de manhã, bem no estilo Tel Aviv de ser, fomos interrompidos várias vezez por crianças que viram o programa e a reconheceram. O programa já tinha acabado havia mais de um mês…

Mas o BB israelense começou mal. Apesar da audiência, o sistema de votações do programa teve uma pane já na segunda noite – quando o primeiro brother seria elimidado – e acabou colocando no “paredão” as pessoas erradas e eliminando o irmão gêmeo do homossexual. Refizeram tudo, bem no jeitinho israelense, e o trouxeram de volta depois.

Ah! O “BBI” pode ser visto ao vivo pela internet! Os israelenses nem têm idéia de que a versão brasileira do programa não tem essas facilidades e precisa ser paga pelos mais aficionados. Quando eu contei isso para a recepcionista da empresa onde trabalho, ela disse que daqui os produtores devem estar arrependidos por não cobrar o acesso!

Em tempo: falando em televisão, existe uma lei que está gerando muita discussão em Israel. A lei, aprovada em julho, pretende proteger crianças da exposição a conteúdo pornográfico e violento na internet. Um estudo recente mostra que 60% dos israelenses mais jovens acessam sites com conteúdo de sexo e 40% já passaram dados pessoais pela rede. A lei, que tem muitos inimigos, foi apelidada de… Big Brother!

*Al tadichu oti (pronuncia-se /al tadirru oti/) é o apelo que os big brothers israelenses fazem, na vinheta do programa. Significa algo como “não me mandem pra casa”.



3 Responses to “Al tadichu oti!*”

  1. 1 Fernanda Fig

    Como assim, família no BBB? Só em ISrael, mesmo! ;)
    Mas a panela de pressão parece interessante, bem samba do crioulo doido. Esse negócio de trazer participantes de volta me lembra o Silvio Santos na Casa dos Artistas, quando ele levou o Frota de volta, hehehehe.

    E como disseram acima, tb espero que não tenha um Pedro Bial poeta versando bobagens e dizendo que é incrível observar “essa nave louca”!

    Bjos

  2. 2 Diogo

    E que musiquinha toca? “Se vc soubesse quem você é… Até onde vai a sua… FÉ!” =)

  3. E o apresentador do programa?!? haha…

    Nada comparável ao nosso Pedro Bial, aposto! hehe…

    Será que alguém já mordeu a língua e vai se render ao infame “BBI”?!?

    Cuidado que vicia! rs…


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