Iê, iê, iê…

22set08

"Os besouros do ritmo", como eram chamados, em anúncio de jornal israelense

Virou febre, virou piada, virou motivo de raiva e tristeza para uns, alegria para outros. Virou até protesto. E mesmo com tudo isso, nesta semana, com um atraso de 43 anos, “os Beatles” vão tocar em Israel. HA-HA-HA

Se fossem, de fato, os Beatles, talvez valesse a pena torrar entre 500 e 5 mil shekels (145 dólares para o mais barato, entre cotovelos no gramado, e 1,4 mil dólares na área VIP).

Mas os garotos de Liverpool não vêm, é claro. Vem sir Paul, o sobrevivente. E a chegada dele, para o show que vai acontecer na quinta-feira, aqui em Tel Aviv, está cercada de histórias e lendas.

Tudo começou em 1965, quando a banda tinha um show programado que nunca aconteceu. A partir daí, diversas versões tentam explicar uma mesma história.

A mais conhecida é a de que John, Paul, Ringo e George, que já enlouqueciam meninas no mundo inteiro, poderiam desvirtuar a juventude puritana da Israel dos anos 1960 – que dava os primeiros passos no mundo da televisão, ainda.

Por isso, dizem, o show foi barrado pelo governo – por um órgão que existia na época chamado “Comitê Interdepartamental para Autorização de Importação de Artistas Estrangeiros“.

Mas a história, na verdade, tem bem menos a ver com vícios e virtudes da sociedade israelense dos anos dourados e muito mais com jogo de interesses entre empresários.

O ingresso do show que nunca aconteceu

O ingresso do show que nunca aconteceu: 20 libras

Um sujeito chamado Giora Godik, agente de grandes nomes da música, considerado o “rei israelense dos musicais”, recebeu a sugestão de trazer os Beatles para o país. Mas, seja como for, ele ainda não tinha ouvido falar dos rapazes e… recusou a oferta! E trouxe um tal de Cliff Richard, que fez muito sucesso entre os jovens ansiosos por novidades estrangeiras.

Quando se deu conta da bola-fora, já era tarde. Os direitos para o show tinham sido vendidos a outro empresário, Ya’akov Ori. Em uma atitude quase infantil de “ou eu, ou ninguém“, Godik se dedicou a sujar a imagem dos Beatles junto ao tal comitê interdepartamental… Contou aos quatro ventos, em Jerusalém, que os meninos que faziam sucesso no mundo todo eram uma ameaça para a juventude israelense.

Os deputados, na Knesset, deram ouvido às balelas de Godik e não permitiram a realização do show tão esperado. Quarenta e três longos anos depois, o embaixador de Israel na Inglaterra quis corrigir o erro e apresentou um pedido formal de desculpas à meia-irmã de John Lennon, Julia Baird.

Isso – e a notícia de que um show poderia acontecer – foi no começo do ano. Eu estava no Brasil e trabalhava com duas beatlemaníacas que conheciam a história e que até se animaram a viajar para o outro lado do mundo para o show. Isso, claro, antes de saber dos preços cobrados pela apresentação!

Quando o show finalmente foi confirmado, vieram as ameaças a Sir Paul. Grupos de muçulmanos, contrários à visita do Beatle a Israel, andaram dizendo que ele poderia ter o mesmo fim que John Lennon… Por isso, na curta passagem pela terra do leite e do mel, McCartney vai ser protegido por agentes do serviço secreto israelense…

Agora, o consenso entre israelenses menos afortunados é o de na quinta-feira chegar o mais perto possível do parque HaYarkon, onde o show vai acontecer, para tentar ouvir alguns acordes. A paixão continua a mesma! Iê, iê, iê…

And in the end, the love you take is equal to the love you make
(The Beatles)

Para quem lê hebraico: uma crônica sobre o que teria acontecido se os Beatles tivessem vindo em 1965.



3 Responses to “Iê, iê, iê…”

  1. 1 Fernanda Fig

    Nossa, que história doida. Também não imaginava isso, apesar de achar meio estranha essa história de “Beatles desvirtua a juventude” em Israel (inevitavelmente eu lembrei do John Lennon dizendo que eles eram mais famosos que Jesus, não que Moisés, hehe).

    Em 1965 eles ainda eram bons moços, não? Era mais um lance de histeria… Se ainda fosse na fase LSD!

  2. 2 Ila

    Depois q eu vi a entrevista do Sir, desisti. Por que? Ao ver uma velha sendo entrevistada e apos 3 longos minutos “descobri” q aquela velha era o Paulzinho, nao deu! ; p
    Acho q terei q gastar meus 5 mil shekel em calcas jeans na CASTRO…

  3. 3 Júlia Zillig

    Gá,
    É verdade…rs…vontade de ver esse show de pertinho não falta…rs…
    Eu já tinha ouvido falar nessa história de que eles tinham sido proibidos de tocar em Israel na década de 60. Achei que isso tinha a ver com aspectos ideológicos, de acordo com a versão oficial…rs
    Tá vendo, tô aprendendo sobre Beatles com vc tb!!!!rs
    Aproveite mtoooo o show…é uma grande oportunidade de estar frente à frente com uma lenda da música…
    Beijos,
    Júlia


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