Problema de transliteração

07fev10

Confusão na placa de trânsito

Existe um moshav (não sabe o que é moshav?) no norte de Israel, entre Akko e Naharia, chamado Shavei Tzion (aqui, no Google Maps). Semana passada recebi a foto ao lado, de uma placa que indica o caminho para o local, com a transliteração perigosa para o inglês: “Shave Ziyyun”. Para quem não entende hebraico, pode parecer apenas uma confusão. Mas “shave ziun” é o mesmo que “vale uma foda”.

A transliteração de nomes de localidades em Israel é um problema por aqui. Não existe padronização e, em uma mesma rua, o nome pode aparecer transliterado de várias formas diferentes. Ninguém sabe, por exemplo, qual a forma correta de escrever o nome do milionário Rotschild que aparece em ruas em quase todas as cidades de Israel (e é mencionado na famosa canção do Violinista no telhado).

Já vi o nome transliterado, em uma mesma rua de uma mesma cidade, como “Rotschild”, “Rotshild”, “Rothshild”, “Rothschild” e outras versões das quais nem me lembro. E são vários os nomes que saem redigidos em inglês sem nenhum critério claro. Há alguns anos, li uma carta de um leitor ao Jerusalem Post reclamando sobre a falta de padronização na transliteração de placas de ruas em Israel.

A lei israelense determina que os sinais de trânsito sejam trilíngues, usando os dois idiomas oficiais (hebraico e árabe) e o inglês.

Lei polêmica

No meio do ano passado, uma lei polêmica foi proposta pelo ministro dos Transportes e depois aprovada no Parlamento israelense. Ela prevê a mudança na forma como nomes de cidades seriam transliterados (em vez de traduzidos) para o inglês e o árabe. Deu uma confusão.

O ministro que propôs a lei, Israel Katz, de direita, deixou claro ter motivações políticas para a decisão:

Se alguém quer, através de uma placa de trânsito, transformar Jerusalém na al-Quds palestina, isso não vai acontecer neste governo, e certamente não com este ministério.

Hoje, cidades israelenses aparecem com o nome grafado nos três idiomas. No exemplo de Jerusalém, as placas indicam Yerushalaim, em hebraico, Ursalim al-Quds, em árabe, e Jerusalem, em inglês. Pela nova lei, o nome passa a ser um só, Yerushalaim, grafado com os caracteres de cada idioma…

Deputados árabes reagiram com fúria, afirmando que a lei pretende apagar o caráter e a cultura árabes de cidades israelenses. Apesar de ter sido aprovada, a lei ainda não entrou totalmente em vigor. Eu pelo menos não me lembro de ter visto alguma placa com a transliteração do nome em hebraico. É que em vez de trocar os sinais existentes, a decisão acabou sendo de adotar a mudança apenas em novas placas…

Em vez de um só termo em hebraico, dessa vez vão três, já que são três os idiomas das placas de trânsito em Israel. 1. congestionamento, algo muito comum nas ruas israelenses, é פקק תנועה (pkak tnuá). Aliás, pkak é também tampa de garrafa, o que me remete à engarrafamento… 2. placa de trânsito é תמרור (tamrur). E 3. lei é חוק (rôk). Veja outras palavras em hebraico aqui.

Obrigado à Andrea Alevi pela foto.



3 Responses to “Problema de transliteração”

  1. 1 Debora

    e ae, shave ziun o lo?! rs!

  2. 2 Victor

    Já não tem aí um grande movimento para se colocar o russo como quarto idioma nas placas?

  3. 3 Ana Néca

    Eia sopa de letrinhas, né não?

    Pensando em Estados cada vez mais preenchidos por diversas culturas e tantos povos buscando ver-se representados, das duas uma: ou a sopa se espalha ou vamos todos acabar falando só a língua da rainha…

    Beijo


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