A festa do premiê

29jul10

Acontece que poucas horas depois que o helicóptero israelense se chocou contra uma montanha na Romênia, na segunda-feira, o primeiro-ministro Bibi Netanyahu dava uma festa na residência oficial, para cerca de 100 convidados, comemorando o 19o aniversário de Yair, seu filho mais velho (na foto).

A notícia não teria destaque nenhum – mesmo se tratando de um evento que, de acordo com o assessor de imprensa do premiê, foi pago pela família, embora tenha sido realizado na residência oficial de Netanyahu – não fosse o timing. Os convidados começaram a chegar por volta de 17h30. Duas horas e meia antes, às 15h locais, o acidente com o helicóptero ocorreu nas montanhas romenas.

O escritório de Netanyahu sustenta a versão de que o premiê não foi avisado sobre o evento até que os convidados começaram a chegar. Mas duas horas e meia se passaram entre uma coisa e outra. Quando finalmente foi informado, às 18h16, o Exército pediu que ele não comentasse sobre o assunto na festa, porque as famílias ainda não tinham sido avisadas – mas convidados disseram que ele falou do assunto mesmo antes de 18h…

O analista Zeev Segal, especializado em lei e professor de Direito na Universidade de Tel Aviv, escreve na edição impressa do Haaretz de hoje:

A festa de aniversário realizada para o filho de Netanyahu na residência oficial do primeiro-ministro em Jerusalém viola a ética pública e os padrões esperados de um premiê.

Para Segal, “muito além de questões sobre por que o primeiro-ministro foi informado com atraso (sobre o acidente), e por que não deixou imediatamente seus convidados para ir ao seu escritório, o simples fato de que uma festa privada estava acontecendo na residência oficial levanta questões. Uma coisa é organizar um jantar de família, mesmo que grande, ou convidar amigos para um jantar de Shabat na residência oficial. Dar uma enorme festa de aniversário é bem outra”.

As versões ouvidas sobre quando Netanyahu ouviu sobre o acidente dão margem a questionamento. O assessor militar do presidente Shimon Peres ouviu a respeito às 16h30. Às 17h o chefe do Estado-maior do Exército, Gaby Ashkenazi, já sabia sobre o incidente. Bem antes, às 16h15, os assessores militares do ministro da Defesa Ehud Barak foram informados…

Bad boy?
Yair, o filho mais velho do premiê, virou notícia no ano passado quando, aos 18 anos, começou seu serviço militar obrigatório, como qualquer outro garoto de sua idade em Israel (mas ele é o único que tem um guarda-costas). Ele fez o treinamento básico de três meses e depois foi alocado para o escritório do porta-voz do Exército, o “Dotz”, considerado de difícil acesso.

Ontem circulou a notícia de que Yair foi punido pelo Exército por chegar “horas atrasado” à base onde serve, perto de Jerusalém. Embora tenha recebido dez dias de confinamento na base, a punição foi reduzida para apenas dois dias depois de um pedido de reavaliação.

Quando o premiê serviu, ele foi membro de uma unidade de elite do Exército. Ele tem outro filho, Avner, mais novo, também da esposa Sara, e uma filha mais velha, Noa, de um casamento anterior.



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