Gays marcham hoje em Jerusalém

29jul10
Não é a primeira vez que uma parada gay é realizada em Jerusalém, mas este ano o evento vai, pela primeira vez, terminar em frente ao Parlamento israelense, a Knesset – o plano existe desde 2002. De acordo com os organizadores, os participantes vão pedir a criação de um lobby no Parlamento para os gays do país.
Já escrevi a respeito da comunidade gay em Israel algumas vezes aqui no blog. Em 2006, contei sobre a ameaça feita tanto por judeus como por muçulmanos contra a realização de uma marcha do orgulho gay na cidade. Um ano antes, em 2005, a parada gay terminou com um sujeito esfaqueado por um judeu ortodoxo.
Em Tel Aviv a coisa é bem diferente. Existe mais liberdade, é bem mais comum ver casais gays na rua e a parada, além de enorme para os padrões daqui, é animada e não tem as tensões e as ameaças de Jerusalém. Também escrevi a respeito no blog, quando a parada passou debaixo da minha janela em 2008 e eu fui atrás do colorido trio elétrico com a minha câmera (as fotos que ilustram o post são minhas).
Para a parada de hoje em Jerusalém, a polícia destacou 1,5 mil homens para cuidar da segurança dos participantes. A marcha começa às 18h locais (12h no Brasil) no Gan Haatzmaut, o mais importante parque de Jerusalém, onde muitas famílias fazem churrascos no dia da independência do país, em maio – o parque carrega no nome a palavra “independência”. Às 20h, deve chegar à Knesset.
Esta será a primeira parada gay em Jerusalém desde o incidente, no ano passado, em que um atirador mascarado invadiu um centro de apoio a gays em Tel Aviv e matou duas pessoas – de 17 e 24 anos. Dez ficaram feridos. Um ano depois, a polícia ainda não tem informações sobre a autoria do crime. Os organizadores disseram que o evento de hoje vai marcar o fim de um ano de luto e dar início ao que chamaram de “Ano dos Direitos da Comunidade Gay” no país.
Há, claro, tensão em Jerusalém por conta da realização da parada gay. Já é proibido estacionar no trajeto da parada desde cedo (8h daqui) e a partir das 18h o trânsito vai ser interrompido. E os policiais deverão lidar firmemente com qualquer tentativa de romper a parada. Jerusalém vai virar um caos hoje, pode apostar.
Em entrevista ao Haaretz, o ativista Yonatan Gher, diretor-geral do Jerusalem Open House de orgulho e Tolerância (JOH) diz:
Marchamos em Jerusalém este ano pela oitava vez. Todos os anos há medo, embora recentemente o medo tenha diminuído um pouco. Fomos capazes de criar um diálogo em Jerusalém que reduziu a oposição que havia nos primeiros anos. […] Não estamos caminhando por conta dos ultraortodoxos. Esta é a nossa cidade. […] Ainda é assustador andar pela rua de mãos dadas com a pessoa que você ama? A resposta é sim. Mas marchamos para não temer no futuro.
A imprensa em Israel explica que durante o trajeto os organizadores vão apontar “todos os lugares em que somos discriminados”. Na minha leitura, isso se refere a instituições religiosas, e pode ser visto como uma provocação, criando problemas com os ortodoxos. Em 2008 enquanto a parada era realizada judeus ortodoxos fizeram uma manifestação (foto) em um bairro religioso da cidade. As cenas devem se repetir hoje.
Se eu conseguir chegar em Jerusalém em tempo, tentarei trazer imagens e notícias sobre a parada. Senão, amanhã!


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