“Sou apenas o pai de um soldado capturado”

03ago10

Estive há pouco na coletiva de imprensa que o pai do soldado israelense Gilad Shalit, capturado pelo Hamas há exatos 1,5 mil dias hoje, convocou para se dirigir “ao povo palestino, povo muçulmano, nossos vizinhos e às famílias dos prisioneiros palestinos” às vésperas do Ramadã.

As aspas são propositais: assim ele leu da carta que escreveu para o povo palestino, em um apelo para que os cidadãos “na Faixa de Gaza e na Cisjordânia” (ele usou os dois termos em hebraico para se referir à área: HaGadah HaMa’aravit e Yehuda VeShomron) façam como ele e a família fazem em Israel: pressionem a liderança do Hamas para fechar um acordo.

São mais de quatro anos – desde junho de 2006. Hoje, de acordo com o calendário judaico, é o 24o aniversário de Gilad. O quinto passado em cativeiro. O apelo, parte de uma estratégia de RP da família Shalit, não ocorre à toa.

A coletiva tinha duas dezenas de jornalistas, talvez três, mas bem menos do que o número visto nos primeiros anos desde de que o soldado foi capturado no lado israelense da fronteira. Mas o assunto é ainda o mais dolorido – e polêmico – na sociedade local.

Em resposta a um jornalista sobre a alegação de que a soltura de mil prisioneiros palestinos em troca de Gilad Shalit poderia colocar em risco centenas de civis israelenses, Noam disse, em tom de cansaço:

Sou apenas o pai de um soldado capturado. Não lido com assuntos do Oriente Médio. É responsabilidade do governo israelense cuidar para que o terrorismo não volte.

Escrevi a respeito no Terra.

Update – meu amigo e xará Gabriel Paciornik escreve no blog dele, o Des-Oriente, sobre o nível de violência e antissemitismo nos comentários à minha matéria no Terra. Como ele ressalta, não há novidades.

Acesse aqui todas as minhas matérias no Terra.


2 Responses to ““Sou apenas o pai de um soldado capturado””

  1. “…façam como ele e a família fazem em Israel: pressionem a liderança do Hamas para fechar um acordo.”

    Mas se Gilad Shalit está prisioneiro do Hamas, e se é o Hamas que tem a chave da sua prisão, será o Hamas que tem a chave para a resolução do problema, ou esta questão é como os cofres dos bancos onde são necessárias duas chaves para o abrir. A questão é se o governo de Israel está disposto a libertar os prisioneiros palestinos que o Hamas reclama. Não sei ao certo quantos prisoneiros palestinos detém neste momento Israel, mas são muitos milhares. Homens, mulheres e crianças. Destas sei o número exacto. No final de Junho eram 291, das quais 23 com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos.
    A libertação do soldado Gilad Shalit está determinantemente nas mãos do governo de Israel.
    A questão de que alguns dos prisioneiros palestinos a libertar tem as “mãos sujas de sangue” e após serem libertados voltariam a “por em risco centenas de vidas de civis israelenses” não é nova.
    Já no governo de Olmert, se colocou.
    Por essa altura, a 19 de janeiro de 2009 comentava um judeu, “ex-terrorista” do Irgun, herói de 48 com sangue vertido, Uri Avnery de seu nome:
    “O argumento hipócrita do “sangue nas mãos”, levantado contra este tipo de acordo, deve ser removido dos vocabulários de uma vez por todas.
    Pelo menos metade dos 1300 palestinos mortos pelo Estado de Israel nas últimas semanas eram civis desarmados, incluindo centenas de crianças. De agora em diante, a expressão “sangue nas mãos” na boca de um político ou militar israelita será uma triste zombaria ou simples descaramento.”
    Não vale a pena esconder a cabeça na areia o Hamas é hoje um dos inimigos de Israel. Mas que eu saiba é com os inimigos que se faz a paz.
    Shalom


  1. 1 Gilad Shalit poderá voltar para casa | Gabriel Toueg: jornalista

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