Guerra. Será?

04ago10

Há quem acredite que o confronto na fronteira entre Líbano e Israel seja um sinal de que uma guerra está para começar. A guerra está prometida há meses para “o verão”. As guerras, em geral, ocorrem por aqui no verão, entre julho e agosto. Foi assim há quatro anos.

Devo confessar que concordo com a análise, por pessimista que pareça.

Além do incidente de ontem, em que morreram três soldados do Exército libanês, um jornalista e um oficial israelense, quatro mísseis foram lançados na manhã de segunda-feira a partir da península do Sinai, no Egito, em direção a Eilat, a cidade mais ao sul de Israel – e em geral afastada das tensões.

Considerando que o alvo era mesmo Eilat, três dos quatro disparos erraram: um caiu em território egípcio, outro foi parar nas águas do mar Vermelho. O terceiro sobrevoou Israel e matou um taxista jordaniano em Aqaba. O quarto caiu em piscinas de sal na cidade israelense, sem deixar vítimas.

Ontem, logo depois do incidente no norte, a líder da oposição israelense, Tzipi Livni, disse, com voz enfática e pausada:

Espero que este tenha sido um evento pontual. Mas nesta nossa região, sabemos que eventos pontuais podem virar conflitos maiores.

Ela tem razão. A sequência de acontecimentos nos últimos dias deixa uma pulga atrás da orelha: na quinta-feira a Liga Árabe aprovou conversações diretas entre o presidente palestino Mahmud Abbas e Israel. Na segunda, mísseis Katyusha sobre Eilat. Ontem, tensão na fronteira norte.

A ONU, rapidamente, pediu que os dois lados evitem uma escalada. Neeraj Singh, porta-voz da Unifil, a missão das Nações Unidas no Líbano, afirmou:

A prioridade imediata da Unifil é consolidar a calma. Instamos as partes a exercer a máxima contenção.

Embora pareça claro que nem Jerusalém nem Beirute estejam interessados em um novo conflito agora, outros elementos, como o Hizballah ou o Irã, e o Hamas, jogam em posições estratégicas nos acontecimentos por aqui. Vale lembrar que o país de Ahmadinejad provê armas e treinamento ao Hizballah, que embora enfraquecido politicamente no Líbano, não reconhece e promete, como o líder iraniano, destruir Israel.

O que me preocupa no incidente no norte é o fato de que não o Hizballah, mas o Exército libanês, esteve envolvido no confronto. Mas Nasrallah falou ontem a respeito e ameaçou que o grupo dele se juntará ao Exército libanês se houver uma escalada.

Ele também aproveitou para culpar Israel pela morte do premiê Rafik Hariri, em 2005. E prometeu mostrar provas disso na semana que vem. Tudo indica que Nasrallah está tentando provocar senão uma situação de guerra contra Israel pelo menos uma indisposição.

Há tensão. Sim, há tensão. Há indícios de que algo está sendo preparado no forno. Nunca antes ouvi de tantas pessoas aqui em Israel informações sobre o chamado exagerado de reservistas. Não deve ser à toa.

Um dos principais organismos no mundo de análise e prevenção de conflitos, o International Crisis Group já advertia, antes do incidente na fronteira, que a situação na região é “excepcionalmente calma e singularmente perigosa”. O cenário, para os analistas, é de um confronto mais “devastador e abrangente”:

Se houver uma escalada de hostilidades, Israel vai procurar reagir de forma forte e rápida para evitar repetir o cenário de 2006.

Meu pessimismo não é tão infundado…

Entenda o que é  a “linha azul“, a linha reconhecida pela ONU e demarcada pela Unifil que marca a retirada do Exército israelense de território libanês no ano 2000:

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6 Responses to “Guerra. Será?”

  1. 1 abram d sztutman

    vc infelismente esqueceu que depois que o orgao,dirigida por um antisemita,que nao faz questao de negar a liga arabe ,caiu um Grad na cidade de Asqhkelon,pois o hamas quer e atingir a cia de forca e luz,a planta de gazolina e desanilizacao dessa cidade que serve a regiao sul.que faria cidade ir pelos ares ……..
    Shabat Shalon
    abram sztutman

  2. 2 Andrea Anatole

    Porque a paz sempre parece mais distante? porque sempre se procura motivos para o embate e não o contrario?. Me dóia na alma pensar nos conflitos e lembrar das familias que irão perder entes queridos, dos meus amigos que moram próximos aos confrontos, o risco eminente de perde-los.
    Com tanta inteligência e avanço, o homem escolhe sempre o caminho mais dificil para percorrer…é irônico.
    Ainda nos comportamos como os animais nas disputas brigamos no braço até que vença o melhor. O pior é saber que não há vencedores.
    Continuo rezando pela paz. Pela coerência, pelos motivos que se apresentam e pelos os que estão escondidos.
    Rezo para que não perca nem um dos meus queridos, numa burrice completa que se chama guerra.

  3. 3 Fernanda Fig

    É, bem que vc me disse há uns meses que estava estranhando a calma na região. E eu não botei fé. Há!

  4. 4 Miguel Fernandes

    Quem disse que o governo libanês manda completamente no Exército do Líbano? Que sabemos da infiltração de gente do Hezbollah na oficialidade libanesa? Quais os pesos específicos das lealdades da oficialidade libanesa? O que de fora parece ser um monolítico exército de uma nação, por dentro pode bem ser uma colcha de retalhos onde a presença do Hezabollah não seja pequena. Fica o pitaco, especulação pura, está visto… :) E rezo para que o amigo esteja errado, que não venha a guerra.

  5. Infelizmente as nações estão muito longe de ecoar as palavras do antigo profeta: “E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Yshayah)


  1. 1 Adiamento | Em Angola

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