Irã sem Ahmadinejad?

06ago10

Depois do que parece ter sido um ataque de um opositor do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, esta semana, fica a pergunta: como seria o Irã sem o seu presidente? Mais: como seria o Oriente Médio sem o sujeito que insiste que no seu país não há gays, ameaça varrer Israel do mapa, nega que está buscando possuir a bomba atômica e contesta o Holocausto?

Como seria o mundo sem Ahmadinejad?

Embora o governo em Teerã e a imprensa iraniana neguem que o incidente esta semana tenha sido uma tentativa de assassinar Ahmadinejad, tudo parece indicar que na realidade foi isso mesmo: uma granada de mão, de fabricação caseira, teria sido atirada contra o comboio onde ele estava, na cidade de Hamadan (foto). Reparem, aliás, que ele viaja sem muita segurança, em carro aberto. Apesar de ter dito esta semana que Israel tem planos de assassiná-lo, ele não tem muita proteção.

Um site iraniano informou logo depois do incidente:

Uma granada [há diferentes versões sobre o que teria sido atirado] explodiu quando o comboio do presidente se dirigia a partir do aeroporto (de Hamadan) para o local do discurso (estádio local), mas não o atingiu

A verdade é que é difícil ter informações confiáveis e precisas sobre o que ocorre no Irã, já que não há muita liberdade de imprensa e a mídia local é controlada pelo governo. Apesar de o governo negar que tenha sido um atentado, várias pessoas foram presas de acordo com a agência de notícias Mehr.

De toda forma, fica mais uma vez a impressão de que as coisas estão esquentando tanto no Oriente Médio a ponto de dar a sensação de que algo estão cozinhando…

E então, como seria o Irã sem seu presidente? Uma análise do Realite-EU, organização de especialistas na região, aposta que “mesmo sem Ahmadinejad, o regime iraniano provavelmente não seria muito diferente no que diz respeito à sua linha-dura, à política anti-ocidental e sua não-conformidade com as exigências da comunidade internacional”.

Mesmo assim, acredito que o Oriente Médio mudaria sem Ahmadinejad na presidência do Irã. Não são poucos os analistas que colocam o presidente como elemento desestabilizador da região – treinando e armando grupos xiitas como Hamas e Hizballah, clamando pela destruição de Israel e perseguindo a produção da bomba atômica.

Se houver uma guerra entre Israel e o Irã, como muitos acreditam que pode haver, e mesmo no governo em Jerusalém não se descarta (vale lembrar que a Arábia Saudita já deu sinal verde para o uso do seu espaço aéreo), a situação vai ser completamente diferente da que se viu em 2006, quando o Exército israelense enfrentou o Hizballah, no norte, e o Hamas, no sul. Por aqui, já há alguns meses, o Exército distribui máscaras antigás. O cenário, se essa guerra ocorrer, vai ser mais parecido à Guerra do Golfo, em 1991. O país vai parar…

Como lembra o Gustavo Chacra, do Estadão, no Oriente Médio tudo pode acontecer, e as previsões são difíceis:

Podemos fazer a previsão que for, mas mais dia, menos dia, acordaremos com uma notícia inesperada. Pode ser a morte do presidente do Irã, a poda de uma árvore na fronteira do Líbano com Israel ou qualquer outra coisa que ninguém consiga prever.

Acompanhe a linha do tempo do Irã desde a reeleição de Ahmadinejad em junho do ano passado

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