‘O que foi que eu fiz?’

17ago10

Do perfil de Eden Abergil no Facebook (crédito: blog Dimi’s notes)

As fotos não estão mais disponíveis no perfil de Eden Abergil no Facebook, mas já estão rolando na internet. Eden Abergil acabou há um ano o serviço militar no Exército israelense, e criou, no Facebook, um álbum com o sugestivo título “Exército, os melhores dias da minha vida”, só com fotos da experiência militar.

E entre as imagens está a que ilustra o post de hoje (com o título original e os comentários): a menina posando ao lado de palestinos vendados e com as mãos atadas, provavelmente em checkpoints em Gaza. O assunto já virou o novo escândalo em Israel. Um blog chegou a comparar as fotos com as da prisão de Abu Ghraib – lembrado? Exagerado, mas ele mesmo escreveu “mini Abu Ghraib”.

Casos assim não são lá tão raros. Há algumas semanas soldados postaram no YouTube (de onde o vídeo foi depois retirado) imagens absurdas de uma espécie de flash mob nas ruas da cidade velha de Hebron, ao sul de Jerusalém. Uma dancinha besta que rendeu, claro, punições. Houve um outro caso, que eu contei no blog.

E o mais absurdo da história da menina de Ashdod que faz pose ao lado de prisioneiros palestinos é a declaração dela depois que as fotos caíram na rede (saiu até no G1!) e o caso está na boca do povo por aqui e no mundo – até a CNN tratou do assunto. O dano para a imagem de Israel é enorme…

Em entrevista à rádio do Exército, que já não pode fazer nada para puni-la, porque ela já acabou o serviço militar, Eden afirmou:

Não há nada errado com as fotos que tirei com prisioneiros palestinos algemados. Ainda não entendo o que fiz de errado. As imagens foram feitas com boa intenção, sem nenhum posicionamento (político).

Que boa intenção pode haver em tirar fotos assim? De uma forma ou de outra, quando a Lisa Goldman, conhecida jornalista israelo-canadense, autora de um blog movimentado em Israel, pediu para conversar com ela, a resposta foi essa:

Não falo com esquerdistas.

Em um perfil dela na internet (em hebraico) ela conta que esteve em uma unidade de combate no Exército, se define como tendo “visões políticas de direita”, e sendo observante religiosa. Ela participa de vários grupos religiosos, como hozrim btshuva (pessoas que se reaproximaram da religião), e alguns do tipo “Traga Gilad Shalit para casa” e “Eu também odeio o Hamas”. Algum posicionamento político há nisso tudo, não?

(UPDATE) O blog Dimi’s notes, do Dmitry (Dimi) Reider, mostra fotos ainda mais sórdidas feitas por soldados e reveladas pela organização Shovrim Shtika (Rompendo o Silêncio). A entidade reúne depoimentos de casos de abuso em relação a palestinos, saques e destruição de bens durante a segunda intifada. AVISO : o conteúdo de algumas fotos é bastante chocante.

(UPDATE2) Falei com a soldada para uma matéria que saiu no Terra no dia 18 de agosto sobre o assunto. Ela concordou em falar comigo uma vez, mas depois, quando disse que gostaria de matar árabes (!) acabou desligando o telefone na minha cara. Ela resolveu não conversar mais com jornalistas.



One Response to “‘O que foi que eu fiz?’”


  1. 1 Os filhos (árabes) dos outros | Gabriel Toueg: jornalista

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