Quando o ceticismo fala mais alto

07set10

Contei na semana passada que conversei com Hanna Siniora sobre as negociações em Washington. Siniora é presidente da Câmara de Comércio União Europeia-Palestina e participou de delegações de diálogo com Israel no passado. Para ele, já na semana passada, enquanto Abbas e Netanyahu estavam nos Estados Unidos, os diálogos não dariam em nada.

Do meu texto na semana passada:

‘Se Olmert não estava disposto a ceder o mínimo, como Netanyahu cederá?’, pergunta (Siniora). A teoria é a de que o governo de Netanyahu, formado por partidos de direita, estaria bem menos disposto do que o de Olmert, cujo partido, o Kadima, se posiciona na centro-esquerda.

Ceticismo, aliás, é o sentimento comum das pessoas com quem conversei para a matéria. Falei também com o sueco Michael Schulz, especialista em resolução de conflitos e docente da Universidade de Gothenburg, e com o israelense Raviv Drucker, analista político do Canal 10. Todos deram a impressão de que a nova rodada não dará em nada.

Hoje, com os líderes palestino e israelense de volta, o ceticismo de Siniora, Schulz e Drucker está se provando correto. As negociações, que mal começaram, parecem já estar ameaçadas. Apesar de o premiê israelense dizer acreditar que um acordo de paz é possível dentro de um ano, o presidente palestino disse que “faria as malas e iria embora” se o congelamento de construções em colônias não fosse renovado.

Netanyahu, por sua vez, pediu a Abbas que não desista das negociações. Ao mesmo tempo, em casa, disse nunca ter prometido renovar o congelamento das construções. Com o jogo de empurra-empurra e “eu nunca disse que”, as negociações não devem levar a nada. Além disso, há outra questão, como Moshe Arens, que já foi ministro de Exterior e de Defesa, escreveu no Haaretz:

Desta vez não vai haver um déjà vu. As negociações entre Netanyahu e Abbas não serão nada parecidas com as que tiveram lugar durante dezesseis anos, sucessivamente, entre Yitzhak Rabin, Netanyahu, Ehud Barak, do lado israelense, e Yasser Arafat. Arafat tinha o apoio de quase todos os palestinos, e tinha todo o direito de representá-los. Com Abbas a história é completamente diferente. Ele não tem o apoio de todos os palestinos, nem mesmo da maioria deles.

Há razão para ceticismo, sim.



One Response to “Quando o ceticismo fala mais alto”

  1. 1 Fernanda Fig

    O pior é que quanto mais o tempo passa, mais os conflitos vão se agravando, e menos disposição se tem pra solucionar a questão da paz – sem contar os interesses pessoais e de grupos que estão no comando da política. O fato é que mesmo que não dê em nada (e eu também acho que não vai dar, porque isso tudo é diplomacia pra inglês ver), a panela de pressão continua esquentando, e uma hora vai explodir de verdade. E nessa hora, se Israel e Palestina não chegarem a uma decisão, tenho certeza de que vão chegar por eles. Israel como a conhecemos hoje não vai durar mais cem anos, eu estou convencida disso, e aposto na ficha do estado único .


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