Ouça a gravação que fiz para inaugurar a novidade do dia do blog: posts em áudio!

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(Publicado originalmente no Ato ou Efeito, em tom de conto!)

Sexta-feira é dia pela metade em Israel. Não, não é definitivamente dia como qualquer outro. Não é igual à semana, e é diferente do sábado. É dia preguiçoso, mas corrido. É dia de acordar cedo. Porque tem que dar tempo de fazer tudo antes de tudo parar. Sim, tudo pára! Os ônibus, o comércio, a loucura da semana. E a correria se transforma em velas, acesas em Tel Aviv hoje às 16h46, às 16h32 em Jerusalém. Depois das velas, o canto das sinagogas. E um quase-silêncio. Sexta-feira é dia de edição gorda – bem gorda – do jornal, porque jornal não circula aos sábados em Israel!

É dia de limpezas, dia de afazeres, dia de preguiça, no final do dia.

Bom shabat.


As bandeiras do Irã, de Israel e da Alemanha (do vídeo da entrega de medalhas)Não é a primeira vez que algo assim acontece, e certamente não vai ser a última. Alguns podem chamar de falta de espírito esportivo, outros acham que é a política internacional levada ao ringue. Não importa.

O cenário é a cerimônia de entrega de medalhas, na Polônia, do Masters de Levantamento de Peso, categoria masculina 35 a 39 anos, 105kg. As lutas ocorreram na cidade de Ciechanów entre os dias 18 e 25 de setembro, há quase um mês.

Note a atitude do atleta iraniano. Depois continuo.

A história é a seguinte: Sergio Britva, um brasileiro, de São Paulo, foi medalhista de ouro por Israel na Polônia, pelo campeonato da federação internacional da categoria (IWF). Em segundo lugar ficou o iraniano Hossein Khodadadi, e logo depois, o alemão Oliver Rosengart. Reparou nas bandeiras que ilustram o post?

Na cerimônia de entrega de medalhas, Britva sobe orgulhoso ao pódio, mas quando estende a mão ao iraniano, recebe uma recusa. Não reparou? Veja de novo. Chego a entender a reação de Khodadadi, embora lamente muito que coisas assim ainda aconteçam no esporte…

Fico imaginando que o Ahmadinejad está sentado na frente da televisão, em algum bunker em Teerã, vendo a cerimônia. E esperando Khodadadi apertar a mão do brasileiro que representa Israel, apenas para poder cortar a cabeça do sujeito quando ele voltar para casa…

Triste.

Por outro lado, repare na emoção do brasileiro ao soar o hino israelense.


Resolvi escrever este texto pela quantidade de pessoas que me pediram informações com relação à votação do dia 3 de outubro. Vale lembrar que a eleição presidencial ainda não terminou, portanto brasileiros vivendo no exterior que tenham entre 18 e 70 anos ainda precisam votar no segundo turno, que acontecerá no dia 31 de outubro.

A ideia deste post é dar algumas dicas, depois de conversar com a Embaixada do Brasil em Tel Aviv e com o Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, para orientar os brasileiros a como proceder nos seguintes casos:

1. Aos que têm título em Tel Aviv ou Ramallah mas não votaram no dia 3.

Quem está registrado para votar em Tel Aviv ou em Ramallah é obrigado a votar (apenas para presidente) em uma das quatro seções eleitorais disponíveis para brasileiros (uma em Tel Aviv e três em Ramallah este ano). Quem não o fez precisa justificar a ausência. Para tanto, é preciso enviar pelo correio, preferencialmente, os seguintes documentos: a. formulário de justificativa preenchido (você pode acessá-lo na página do TSE); e b. documeto de identidade.

Leia mais sobre como justificar. É importante notar que a justificativa não pode ser feita no dia da eleição. Quem tem endereço eleitoral no exterior não está obrigado a votar para prefeitos, governadores, deputados, senadores etc. A única exigência, nesse caso, é o voto (ou a justificativa) para presidente.

2. Aos que não têm título em Tel Aviv ou Ramallah e não votaram no dia 3.

Quem não transferiu o título para Tel Aviv ou Ramallah não pôde votar aqui, mesmo que viva em Israel ou na Cisjordânia (não importa há quanto tempo). Sendo assim, precisa justificar o voto – e a justificativa precisa ser feita no Brasil ou por correio. É importante notar que quem vive fora do Brasil e mantém domicílio eleitoral em algum município brasileiro continua obrigado a votar em todas as eleições, devendo justificar as ausências enquanto estiver fora do Brasil.

O eleitor que se encontrava no exterior no dia da eleição pode comprovar a ausência à votação por meio da cópia do passaporte com carimbo de entrada ou saída do país visitado, bilhete de passagem que comprove a data do retorno do eleitor ao país onde está inscrito, atestado de matrícula em estabelecimento de ensino no exterior ou contrato de trabalho no exterior. Atenção: aos brasileiros que têm passaporte israelense, o passaporte brasileiro não é carimbado pelas autoridades na entrada e saída do país.

3. Aos que pretendem votar em futuras eleições (inscrições e transferências).

Quem pretende participar em futuras eleições em Tel Aviv ou em Ramallah precisa esperar até o dia 20 de novembro. Apenas depois desta data as representações diplomáticas do Brasil em todo o mundo aceitarão inscrições (para quem ainda não tem título de eleitor) e transferências.

Para fazer inscrição eleitoral (emitir título novo), é necessário levar os seguintes documentos: a. documento oficial brasileiro de identificação (passaporte, carteira de identidade, carteira de trabalho, certidão de nascimento ou casamento etc); b. comprovante que ateste sua residência em Israel ou na Cisjordânia; e c. certificado de quitação do serviço militar (para homens com idade entre 18 e 45 anos).

Para quem já tem título e deseja realizar transferência para o local onde vive, os documentos são: a. documento oficial brasileiro de identificação (os mesmos da lista acima); b. comprovante que ateste sua residência em Israel ou na Cisjordânia; e c. título eleitoral, se tiver.

De qualquer forma, convém não deixar esse processo para o último momento, já que perto de eleições tudo é mais demorado. Não será possível transferir o título antes da realização do segundo turno, no dia 31 de outubro.

4. A turistas brasileiros que estejam em Israel ou na Cisjordânia e não votaram.

A legislação eleitoral brasileira não permite o que é chamado de “voto em trânsito”, ou seja, votar em local diferente da zona eleitoral que figura no seu título. Por isso, quem esteve (ou estará) em Israel ou na Cisjordânia em datas de eleições não pode votar. Dessa forma, é necessário justificar a ausência, de acordo com as instruções no item 1.

5. Aos que estão aptos a votar em Tel Aviv ou Ramallah no dia 31 mas não votaram no primeiro turno.

Mesmo que você não tenha votado no primeiro turno, poderá comparecer na Embaixada e Tel Aviv ou no Escritório em Ramallah para votar no dia 31. Basta levar um documento com foto (passaporte, documento de identidade etc). O título, pela nova determinação do TSE, não é necessário, mas é uma boa ideia levá-lo também, para evitar dores de cabeça. O horário de votação é entre 8h e 17h e em geral não há filas, porque pouca gente vota em Israel. Em Ramallah os eleitores são mais numerosos, então você poderá enfrentar filas.

Importante: Vale dizer que as regras acima valem para embaixadas e consulados brasileiros em todo o mundo, não apenas em Israel e na Cisjordânia. Se você tiver outras dúvidas, deixe um comentário e tentarei descobrir a resposta.

Informações por telefone e pela internet
Você ainda pode ligar diretamente para o escritório do Itamaraty mais próximo ou acessar as informações pela internet.

Para quem mora em qualquer cidade de Israel:
Embaixada do Brasil em Tel Aviv, 03-797-1500, site.

Para quem mora em qualquer cidade da Cisjordânia (não inclui a Faixa de Gaza):
Escritório de Representação do Brasil junto à Autoridade Nacional Palestina (em Ramallah): 02-241-3753, site.

O site do TRE-DF tem informações adicionais sobre os procedimentos para eleitores que se encontram no exterior. Não deixe de consultá-lo.


Richard Goldstone em Gaza (foto: AP)O assunto gerou pouca repercussão no mundo, mas foi bastante destacado por aqui. Durante a Operação Chumbo Derretido, a guerra entre Israel e o Hamas de dezembro de 2008 a janeiro de 2009, dois soldados de uma unidade de elite, Golani, usaram um garoto palestino de nove anos como escudo humano.

A história é a seguinte: no meio dos confrontos, em Gaza, eles teriam mandado o garoto abrir sacolas em que eles suspeitavam haver bombas. Preferiram arriscar a vida de uma criança a abrir as sacolas eles mesmos. Não havia bomba nenhuma nas sacolas. Mas por conta da atitude, os soldados foram condenados por uma corte militar em Israel.

Mais do que o incidente em si, o debate gerado em seguida na sociedade é de assustar. Na corte que condenou os Golani, amigos dos soldados – e eles mesmos – usavam camisetas com os dizeres “Somos vítimas de Goldstone”, em referência ao jurista da ONU (na foto) que investigou o papel do Exército israelense na operação em Gaza e acusou o país de crimes de guerra.

Ouvi ontem, na Galei Tzahal, rádio oficial do Exército, duas mães de soldados mortos na Segunda Guerra do Líbano. Uma delas, feroz, dizia que o filho dela faria a mesma coisa se estivesse no lugar dos Golani, em Gaza. Mais: com todo o apoio dela. “Estamos lidando com terroristas, filhos e netos de terroristas”, dizia.

A outra, contudo, mais calma, dizia que o filho dela, ao contrário, teria feito de tudo para recusar as ordens de usar o garoto e colocá-lo em perigo. “Meu filho tinha valores e não arriscaria a vida de uma criança”, contou. O debate é desnecssário, baseado em “ses”. Mesmo assim, assusta.

No dia anterior, quando a notícia foi divulgada, um soldado de alta patente entrevistado também na Galei Tzahal disse ao vivo que faria exatamente como os Golani, levando a apresentadora a gaguejar, incrédula, e a voltar a perguntar algumas vezes se era aquilo mesmo.

Só consigo, agora, me lembrar de uma frase, atribuída à ex-premiê Golda Meir, quando falava sobre a dificuldade de construir confiança e paz com os árabes, que mandam os filhos para a guerra. Faço questão de citar a frase dela. Pena ela não servir nas duas direções.

A paz virá apenas quando os árabes conseguirem amar os próprios filhos mais do que eles nos odeiam

(UPDATE) Ainda na onda de abusos e excessos de militares israelenses, um vídeo que está sendo muito comentado e criticado, também aqui em Israel, mostra um soldado dançando ao redor de uma palestina vendada e amarrada, no mesmo estilo das fotos divulgadas no Facebook pela ex-soldada Eden Abergil em agosto.

Embora esta não seja a prática padrão de soldados israelenses, cenas assim estão se fazendo mais comuns e conhecidas, graças às redes sociais e à falta de bom senso de alguns soldados – que não apenas abusam ao humilhar palestinos amarrados e vendados, como também erram ao publicar fotos e vídeos.


Dilma, Serra e Marina, candidatos à Presidência (Foto: O Globo)Hoje, quando mais de 135 milhões de pessoas vâo às urnas no Brasil para escolher seus candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal e estadual, aqui em Israel sigo minha rotina normal – com a única diferença de que estou cobrindo as votações dos brasileiros que vivem em Israel e nos territórios palestinos.

Eu não voto. Perdi o prazo para transferir meu título. Vou pagar a multa quando viajar ao Brasil. Segundo o TSE, cerca de 200 mil eleitores brasileiros moram fora do país – e podem votar apenas para presidente. Desses, 21 mil moram nos Estados Unidos, como conta o Gustavo Chacra.

Apesar de cerca de 15 mil brasileiros viverem entre Israel e os territórios palestinos, de acordo com o Itamaraty, o número de eleitores por aqui é bem pequeno. Em 2006, 238 votaram em Tel Aviv e 824 em Ramallah. Este ano, segundo a Embaixada em Tel Aviv, são 282 em Israel (19% a mais que em 2006). De acordo com o Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, são 876 em territórios palestinos, embora a lista oficial tenha apenas 439 nomes (46,7% a menos).

Exatamente como o Gustavo fez no post dele, quero contar que, também aqui em Israel (e no mundo árabe), o voto não é obrigatório. Quando há eleições – em geral em um dia útil comum, diferente do que ocorre no Brasil, as pessoas podem pedir licença de algumas horas para ir até o local de votação. Ou não. Podem decidir que não votam.

Quando votam, manifestam seu desejo político democrático e escolhem um candidato. Votar em branco, portanto, é perda de tempo. Em eleições como as de hoje no Brasil, em que tenho visto quão desmotivadas e em dúvida as pessoas estão, a opção por não votar é também uma manifestação democrática. É o que aconteceria em Israel em uma situação assim.

Um caso típico desses aqui em Israel é a votação para prefeitos (não há votação para governadores, já que não há estados). Diferente do que ocorre nas eleições para primeiro-ministro, muito mais concorridas, pouca gente deixa o que está fazendo para decidir quem ocupará a prefeitura da cidade onde mora.

Por conta disso, aliás, os ortodoxos elegeram, em 2003, o também ortodoxo Uri Lupolianski para prefeito de Jerusalém, cargo considerado muito importante no país – pela relevância da cidade. Eles conseguiram eleger um candidato ortodoxo porque fizeram campanha e apostaram que os seculares ficariam em casa. Deu certo. Em 2008, nas últimas eleições, contudo, o jogo mudou, e os seculares elegeram Nir Barkat, secular, para o cargo.

Um dado ilustra o que acontece quando o voto não é obrigatório: a taxa de comparecimento nas eleições para primeiro-ministro em 2009 foi de 65,2%. Muita gente não deixou a rotina para votar. No dia da eleição, que eu cobri em Jerusalém, chegaram a ampliar o horário de votação para tentar atrair mais gente. Não deu certo. Os israelenses estavam desmotivados.

Urna eletrônicaSe, por um lado, o Brasil está atrasado na questão do voto obrigatório, arrastando eleitores às urnas ou cobrando multas (ainda que irrisórias) de quem não vota nem justifica, em Israel há um atraso enorme, também, em outro quesito: aqui não existem urnas eletrônicas, como no Brasil.

A contagem dos votos é feita manualmente. Os eleitores depositam um papel com a legenda do partido em um envelope azul, que é introduzido depois em uma urna. É um gasto estúpido de papel. Os votos aqui são bem menos numerosos, e a contagem é bem mais rápida. Em 2009 votaram 3,4 milhões de pessoas. Mesmo sendo poucos votos, o uso de papel dá margem a irregularidades, como eu contei em 2009.