Cidade passarela

06jan11

Não importa que faz frio. Tel Aviv segue sendo a cidade passarela. O frio daqui não é, nem de longe, parecido ao frio europeu. Basta um casaquinho, aquele típico que a mãe judia manda usar quando saímos de casa. Venta um vento que às vezes incomoda, no máximo. De vez em quando chove. Muito pouco.

E mesmo assim, os telavivenses desfilam na passarela, com sua moda particular, entre lojas de grife, embaixadas com suas imponentes bandeiras, quiosques vendendo drogas sintéticas, e cafés, os cafés que têm mesas do lado de fora, com cadeiras viradas para a rua – todos querem ver e ser vistos na cidade passarela.

Estou agora em um café de Tel Aviv. Típico café de Tel Aviv. Senhores idosos, talvez sobreviventes do Holocausto, ou pioneiros da criação do Estado de Israel, sentam-se em rodas e conversam com risadas e boinas. Eles têm muitas histórias para contar. Falta quem quer ouvir.

Há um ou outro cliente tomando café afuch e fumando seu cigarro. Em Tel Aviv a lei do toldo não existe. E mesmo em lugares fechados, onde a lei proíbe fumar, é possível encontrar alguém com um cigarro aceso e um cinzeiro improvisado. E há casais. Muitos jovens, porque Tel Aviv é feita de jovens. E gays, porque Tel Aviv não é homofóbica.

Na rua os telavivenses desfilam com seus celulares, sempre ligados. Conversam em voz alta, contando histórias para quem quiser ouvir. Ou mandando mensagens de texto, que custam tão pouco nesse país. E há dondocas com seus cachorrinhos. Muitos passam de motocas, solução óbvia para o trânsito caótico da cidade de 100 anos, e para a falta de vagas na Tel Aviv que dá muitas multas.

Tel Aviv é a cidade bolha, distante psicologicamente de conflitos e guerras, da política e do noticiário. Os telavivenses vivem em um mundo à parte, e são acusados pelos moradores de outras cidades de apatia. Vivem, trabalham muito, correm sempre. Não há tempo para perder na cidade passarela.

Há também, na cidade bolha, manifestações. Há protestos políticos, sempre realizados “na praça”, a praça Rabin, onde o ex-premiê foi assassinado há quinze anos. E há protestos pelos direitos dos gays, dos estrangeiros ilegais, dos animais e da natureza. Os telavivenses sabem fazer sua voz ser ouvida.

Vou fazendo minha despedida.



5 Responses to “Cidade passarela”

  1. Oi, Gabriel, tudo certinho?
    Encontrei o seu blog no ‘Mundo Pequeno’ e vim fazer uma visitinha!
    MARAVILHOSO o post! Parabéns!

    Também sou expatriada; sai do Brasil em 2000, e desde 2003, moro na Holanda. (O choque cultural existe e acaba sendo benéfico – de uma maneira ou de outra -. Sou da opinão que existem coisas boas e ruins em qualquer lugar do planeta! Nós é que temos que ressignificá-las à nossa moda!)

    Será uma alegria se visitar o meu cantinho virtual, que é: http://josanemary.wordpress.com/mevrouw-jane/

    E será uma outra alegria, se quiser ler o prefácio do meu livro: Mevrouw Jane (o prefácio não foi feito por mim, mas por um outro escritor, um já reconhecido no mundo literário). Se gostar – ou não – por favor, deixe um comentário; vou adorar ler a sua opinião!

    Tenha um ótimo dia!
    Grande abraço.
    Josane Mary

  2. Oi Gabriel, seu blog está no Mundo Pequeno e gostaria de avisar que agora temos uma página no Facebook. Se puder, ajude-nos a divulgá-la. Hoje fizemos um link para seu blog. Um abraço!
    http://www.facebook.com/#!/pages/Mundo-Pequeno/109208682479546

  3. Ah! Tel Aviv… um dia eu ainda desfilo por tuas ruas!

  4. 4 Fran

    Que saudade que deu dessas cenas!


  1. 1 Cidade passarela | Gabriel Toueg: jornalista

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